Insegurança nas escolas
A chacina ocorrida em uma escola dos Estados Unidos, onde vários estudantes foram mortos presumivelmente por dois jovens fanáticos, não é o tipo de tragédia que deva apenas provocar uma onda de medo e um dar de ombros diante da aparente inevitabilidade da ocorrência. O que aconteceu ali não foi um incidente isolado, nem, infelizmente, se trata de um tipo de ocorrência que, no passado, era considerado algo comum e circunscrito àquele país. A diferença desta última tragédia, em relação às anteriores ocorridas nos Estados Unidos, está no total de vítimas e na incrível e até certo ponto absurda violência que o ato em si revela. Entretanto, é igual às outras já acontecidas e é também similar a ocorrências que vêm se repetindo de forma assustadora em outros países, inclusive o Brasil.
Aquela idéia antiga relativa à tranquilidade dos pais quando sabiam que seus filhos estavam nas escolas, livres, aparentemente, dos perigos das ruas, está definitivamente afastada. Diante dos fatos que se repetem aqui como em outros países, com escolas sendo invadidas, pessoas atirando contra estudantes, nos pátios ou nas cercanias e com todos os resultados dramáticos disto a escola começa a ser vista como local tão ou mais perigoso que as ruas. E uma das consequências, além do aumento do medo por parte tanto dos estudantes quanto dos responsáveis, é a tendência a uma ação defensiva que pode provocar um agravamento do problema. O anúncio da presença de estudantes, em salas de aula, portando armas, não é hoje um fato raro. E o pior é que diante das ocorrências que se registram, fica difícil até contestar este tipo de reação violenta, que pode ser apontada como única forma de defesa diante da ameaça que surge de qualquer lugar.
Uma sociedade em que ocorrem tais violências está profundamente doente. Isto se refere tanto aos norte-americanos, onde é fácil demais comprar uma arma, onde existe até uma cultura de mais violência, mas também ao Brasil ou a qualquer outro país deste mundo em que os valores morais e éticos estão ficando cada vez mais subvertidos. Com efeito, diante da violência dos ataques que têm sido deflagrados contra nações, como no Golfo Pérsico e mais atualmente na Iugoslávia, os próprios conceitos relativos à moralidade ficam solapados. E o tipo de atitude absurdamente alienada de jovens que resolvem invadir escolas para matar colegas e destruir as instalações, apenas acaba sendo visto como parte de um todo, em um quadro de desrespeito à vida, com um perigoso retorno à lei das selvas.
Não é possível, porém, aceitar este tipo de situação. É preciso, em cada coletividade, uma reação justa e firme contra este desfiguramento da moralidade social. Atitudes anti-sociais como as dos estudantes norte-americanos ou como a de jovens que, no Brasil como em outros países, saem atirando contra outros (alguns até se escudando na impunidade legal devido ao fato de serem menores de idade), precisam ser analisadas sob todos os ângulos e devem merecer resposta adequada que, no mínimo, passa por duas vertentes. É lógico perceber que estas ações decorrem, muitas vezes, de falhas estruturais da família, de desvios na educação. Por outro lado, é também incontestável que são falhas na segurança pública que tornam possíveis tais ocorrências.
É vital, portanto, diante de tais fatos, que a sociedade aja também de modo direto nestes dois campos. No caso brasileiro, temos profundos problemas no que tange à segurança pública. Falta treinamento ao pessoal, faltam equipamentos, falta também uma valorização maior do policial em seu trabalho. E sem isto, o que a sociedade pode esperar é um agravamento em todos os aspectos da segurança, com a repetição de tragédias como as que se observam ultimamente nas escolas.

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