Do ponto de vista policial, não existe meio de evitar o tipo de ação terrorista praticada por um extremista-suicida. Por maiores que sejam as medidas preventivas, não há como evitar que uma pessoa entre em algum lugar, com bombas envolvidas no próprio corpo, provocando depois a explosão que vai atingir a um incontável número de circunstantes. Foi o que aconteceu em TelAviv, esta semana, como já havia ocorrido antes em outras cidades - israelenses e também de várias partes do mundo. O terrorismo fanático, que não encontra limites, que não respeita coisa nenhuma, nem mesmo pessoas inocentes, parece estar sempre à frente da sociedade em seu modo de agir, conseguindo provocar dor e morte, além de solapar a própria estrutura social contra a qual se volta. E como o terrorismo usa da violência, tanto a própria como a que é utilizada para combatê-lo, como verdadeiro combustível interno, vencê-lo parece tarefa praticamente impossível.
Acontece, porém, que de modo geral o terror é quase sempre uma reação. Os grupos radicais usam as ações dos que combatem como ponto de partida para suas investidas. E conseguirão tanto mais sucesso quanto mais equivocada for a atitude dos seus adversários. O atentado ocorrido em Israel, esta semana, é bem típico disto. A bomba que explodiu em Tel-Aviv foi acionada como resposta ao endurecimento que se forja em relação ao processo de paz naquela região.
O mundo, naturalmente, critica a ação terrorista, tanto esta última quanto todas as outras que provocam dor e morte por toda parte.
Todavia, não há como sequer sonhar com uma mudança na situação sem que haja um eforço muito maior no sentido de desarmar o terror e o radicalismo, através de medidas que possibilitem a convivência entre os povos, independentemente de suas crenças ou posições políticas. A violência, que pode ser física - consubstanciada em ataques contra eventuais sedes do terror - como indireta (como a decisão do governo de Israel de construir casas no setor árabe de Jerusalém), acaba por provocar reação que será tanto mais destrutiva quanto maior for a tensão na região em que ocorre.
E não há como desconhecer que o Oriente Médio é, ainda, uma das mais explosivas regiões deste nosso mundo.
Os esforços realizados em anos recentes pelos governantes de Israel e pelas lideranças dos palestinos criaram uma expectativa otimista quanto à possibilidade de que, finalmente, houvesse paz na região considerada a mais sagrada pelas três maiores religiões monoteístas do mundo. Infelizmente, o terrorismo que surgiu como tentativa de evitar o processo de paz, antes das eleições do ano passado em Israel, conseguiu um primeiro efeito ao praticamente garantir a vitória no pleito daquele país do grupo que tem como filosofia um endurecimento contra o pacifismo. Como a realidade mundial de hoje não admite a violência contra as minorias, o novo governo israelense teve que manter o processo herdado de seus antecessores. Mas mostra evidente intenção de solapá-lo. E, nessa tarefa, por paroxal que possa parecer, conta com a ‘‘ajuda’’ do terrorismo fanático.
Assim como há forte radicalismo entre palestinos e israelenses, também há ponderação de parte a parte entre aqueles que se desdobram para manter e fazer avançar o processo de paz. E, nesse sentido, é fundamental que prevaleça o entendimento que se vem tentando, como fórmula única de provocar a paz e a convivência dos opostos naquele solo considerado tão sagrado. Mas é fora de dúvida que não se conseguirá superar o fanatismo que gera o terror por meio de mais violência. Fundamentalmente, palestinos e israelenses querem viver em paz e podem fazê-lo. O ser humano, em qualquer parte, quer apenas viver em paz com segurança para poder realizar seu trabalho. Isto ainda é possível se conseguir em Israel, bastando apenas que as partes que tentam o entendimento parem de, através de ações duras, alimentar o radicalismo fanático. A violência só vai alimentar a reação suicida dos terroristas.

mockup