Se é devido à anunciada (ou ameaçada) alta do preço do petróleo no mercado internacional, é o que menos importa. O que vale mesmo é a notícia sobre o novo programa nacional do álcool, que terá o Paraná, o segundo maior produtor nacional de álcool combustível, como um de seus coordenadores. Esta verdadeira retomada de um programa que representa excepcional abertura econômica e social para o País é que precisa ser destacada pela sua imensa potencialidade.
Que o petróleo vai continuar subindo, aliás, é inegável. O tempo do petróleo barato se foi há muito. A ‘festa’ dos países importadores, que durou décadas, chegou ao fim quando os maiores produtores do mundo tomaram consciência do que tinham nas mãos e passaram a cobrar muito mais pelos barris. Ainda que não se queira pensar na possibilidade de um esgotamento das reservas de petróleo, a chamada energia finita, é certo que outros fatores também vão determinar contínua elevação de preços. Há a considerar ainda que a prospecção que se faz hoje, inclusive no mar, torna por si o combustível cada vez mais caro.
A questão mais importante, entretanto, também não é esta. O que é preciso enfatizar é a necessidade que os países têm de contar com seus próprios recursos para a geração de energia. Quem precisar importar energia, seja petróleo, seja álcool ou qualquer outro produto, vai ficar tremendamente dependente. Esta situação já foi sentida quando os produtores de petróleo quadruplicaram os preços, quando tentaram até usar o produto como meio de chantagem e pressão internacionais. Foi uma situação traumática mas que teve, pelo menos, uma consequência boa: levou os países até então dependentes a buscar outras alternativas. E o Brasil, além de tantas outras opções, conseguiu criar um excepcional programa de aproveitamento do álcool, pioneiro e efetivo.
Por uma série de razões, o programa do álcool não mereceu, nos últimos anos, a atenção devida. Houve até um recuo ostensivo, ao tempo em que eram descobertas novas reservas petrolíferas em território nacional - especialmente no mar - e os programas de aproveitamento da energia hidrelétrica se multiplicavam. O álcool perdeu prestígio e espaço. Pior, muitas pesquisas foram deixadas de lado. Não fosse este abandono, o Brasil poderia ser, hoje, detentor de tecnologia de ponta até no que tange ao uso do álcool para muito mais coisas além de movimentar automóveis.
O que importa, porém, é que, seja por qual motivo for, o Brasil vai voltar ao programa do álcool. O Paraná pode, efetivamente, fazer muito e se beneficiar disto. Todo o Brasil vai ganhar com isto, a curto, médio e principalmente, longo prazos. Pois é inquestionável que o grande desafio do futuro é o da energia. E o Brasil tem amplas condições, apenas com o programa de álcool, de atingir um estágio excepcional para auto-suficiência de energia, com possibilidades até de produzir excedentes para exportação.
Também não se pode perder de vista que o álcool, além de ser energia renovável, é mais benéfico para o ambiente do que os derivados do petróleo. Quer dizer, é o combustível ecologicamente correto. Veículos movidos a álcool poluem menos que os que usam gasolina ou diesel. Até por isto, as informações relativas a testes com caminhões e ônibus movidos a álcool ou à construção de motores que aceitam uma mistura diesel-álcool são também muito alentadoras.
Está aí um caminho fantástico para a agroindústria, para o Paraná e o Brasil. É preciso, naturalmente, que os erros do passado sejam corrigidos e que haja objetividade no trabalho que se anuncia. Que pode representar mais um excepcional fator para o desenvolvimento pleno do Brasil, a caminho de se tornar a potência mundial que promete ser há décadas.

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