Os acontecimentos registrados no final de semana em Ibiporã, e que se tornaram notícia nacional, são inconcebíveis e inaceitáveis, sob qualquer ponto de vista. A violência popular, justificada como resposta ao inominável crime de que foi vítima o pastor José Idalécio Bueno, deve ser condenada tanto quanto o ato que a originou. A coletividade paranaense e nacional repudiam a truculência policial em quaisquer circunstâncias. É óbvio, entretanto, que responder à violência com mais violência serve somente para reinstaurar a barbárie, sem resolver coisa alguma.
Toda a sociedade brasileira reclama da falta de segurança em praticamente todos os setores da vida. Os marginais apavoram a população, que não poucas vezes é vítima também da violência de maus policiais. Ainda assim, não será através de manifestações violentas, nem pela destruição de bens públicos - os quais terão de ser reconstruídos com recursos do próprio povo - que serão conseguidas soluções, melhoria nas condições de segurança ou a punição de policiais ou marginais que ajam de modo arbitrário ou criminoso.
O despertar da consciência da cidadania no Brasil passou por mobilização, vibração e luta por parte do povo. Derrubou-se uma ditadura de 20 anos sem um só tiro, um só ato de violência. As lições do passado não podem ser esquecidas. Devem, ao contrário, servir como exemplo. Por mais dolorosas que sejam as ocorrências, por mais justificadas que sejam as reivindicações, sabe-se que quando as coisas se desencaminham, quando o quebra-quebra substitui a busca de soluções civilizadas, todos perdem. E quem perde ainda mais é a própria população, que necessita da lei como garantia para suas próprias conquistas.
Esta lição, aliás, deve ser entendida também pelas autoridades. A insegurança da população já atingiu o nível de desesperança. Poucas pessoas acreditam que alguma coisa será feita para corrigir uma injustiça, uma violência, um atentado à liberdade dos cidadãos. Pois são tantos os casos de impunidade que ficar impune tornou-se a regra. E isto não é de hoje nem de ontem, e acontece por toda parte - nas CPIs do Congresso Nacional, em viaturas policiais, nos computadores da Previdência Social, em balcões de repartição pública. Reiteradas vezes, nos últimos tempos, esta situação verdadeiramente dramática de insegurança e humilhação vem sendo motivo de comentários e apelos.
Sabemos que a situação dos cofres públicos é tão precária que não permite valorizar o serviço policial, a fim de se ter um aparato de segurança bem recrutado, equipado e treinado. Mas sem valorizar o serviço policial, o que se tem é o estímulo à corrupção e o aumento da insegurança. Isto significa que, apesar da falta de recursos, as autoridades precisam encontrar uma solução! Afinal, segurança é um dever básico do Estado e o serviço deve ser prestado com qualidade e profissionalismo.
Quanto mais tempo levar para se chegar a soluções, mais a população desacreditará do Poder Público. E mais insegurança haverá. A propósito, a atual Campanha da Fraternidade mostra como as cadeias públicas, onde o criminoso deveria teoricamente ser recuperado, tornam-se uma causa de problemas em vez de soluções.
Naturalmente, nada disto justifica o que ocorreu em Ibiporã nem serve para inocentar os responsáveis pela violência. Entretanto, esta é a realidade que precisa ser percebida pelas autoridades e prontamente enfrentada. Não precisamos de mártires para que fique clara a carência existente. O que precisamos é de uma urgente tomada de posição com o objetivo de resolver os problemas da segurança que a população paranaense reclama e merece.

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