É inquestionável que existe hoje no mundo uma consciência mais ampla sobre a situação do meio ambiente, assim como há percepção de que não pode mais continuar a ser posta em prática a política de agressão ambiental, que está levando o planeta à destruição. A exploração abusiva e, em muitos casos, verdadeiramente criminosa, dos bens postos à disposição do homem pela natureza produziu a situação atual de verdadeira emergência. O homem realizou ao longo de sua passagem pela Terra um trabalho irresponsável e criminoso, que agora cobra seu preço.
Vale lembrar que esta consciência relativa ao ambiente, que surgiu nos últimos anos, seguiu em muitos casos diretrizes radicais, em certo sentido tão danosas quanto a ação irresponsável dos tempos passados. Inegavelmente, era preciso encontrar um meio termo pelo qual fosse possível realizar trabalho de preservação e recuperação do ambiente sem provocar, de outro lado, a inviabilização da vida humana. Esta evolução pode ser sentida em algumas posições anunciadas pelos participantes da Rio+5, conferência que se realiza como uma sequência (e cobrança) da Eco-92.
É importante observar desde logo que este encontro no Rio marca um tipo de evolução no procedimento humano. Com efeito, normalmente realizam-se numerosos eventos mundiais, abordando os mais candentes problemas do planeta e do homem, com muitas decisões que quase sempre ficam no papel e sequer são cobradas. A Rio+5 inova já neste aspecto: os participantes do encontro estão analisando o que foi discutido e decidido na Eco-92, que foi tão prestigiada à época. A cobrança que se faz agora é de extrema validade. Há ainda outro aspecto muito relevante neste novo encontro e que pode ser percebido pela visão mais abrangente dos participantes. Eles sentem que é preciso encontrar caminhos que resolvam o drama ambiental, levando em conta também a situação dos seres humanos. Preservar a vida no planeta é fundamental, mas é preciso igualmente pensar na sobrevivência dos homens.
O que se pode perceber pelo posicionamento anunciado por parte de muitos dos participantes deste encontro é esta louvável evolução. Entendeu-se que não apenas é desejável, mas também possível realizar trabalho de preservação e recuperação ambiental, que paralelamente garanta ao ser humano condições de vida. Isto, em realidade, constitui o desafio nesta época e a disposição observada na Rio+5 cria verdadeiras esperanças à humanidade.
O que salta aos olhos, igualmente, é a necessidade de mudanças profundas em muitas questões relativas à vida humana. Este século, que trouxe as mais intensas transformações de toda a História, produziu também, até como consequência natural, um aumento da destruição do meio ambiente, na deterioração do clima, na destruição de bens não renováveis. Ocorre que não é possível pensar em mudar isto apenas criando obstáculos à produção, ao trabalho, aos meios usuais de vida. Os ecologistas deixaram evidente nesta conferência que estão despertando para isto, de tal modo que as propostas aprovadas objetivam encontrar alternativas de recuperação ambiental com a plena participação humana no processo.
Preservar o ambiente é uma questão de sobrevivência para a raça humana neste final de século. Encontrar meios para fazer isto e ao mesmo tempo preservar e melhorar a qualidade de vida dos homens é o grande desafio. A Rio+5 mostrará que este caminho pode ser encontrado, abrindo com isto melhores perspectivas para o homem e o mundo.

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