Editorial
Os dados divulgados pela Organização Internacional do Trabalho no relatório O Emprego no Mundo, indicando que chega a 1 bilhão o total de pessoas sem emprego no planeta, (o que representa cerca de 30% de toda mão-de-obra mundial), apenas confirmam o que já se sabe: o desemprego é hoje um drama mundial. Esta constatação não pode, porém, ser usada para justificar a situação nacional, que não é muito diferente do quadro geral. O que ressalta, isto sim, é a imperiosa necessidade de se enfrentar este verdadeiro desafio e produzir soluções necessárias e urgentes.
Além do desemprego, a OIT detecta outro grande problema: o do salário. O documento destaca que está ficando cada vez maior a diferença de ganho entre os trabalhadores, de tal modo que pequena parcela recebe elevados vencimentos, enquanto a grande maioria percebe cada vez menos. A OIT evidencia que esta realidade acabará por produzir desnível cada vez mais acentuado, o que pode levar até a explosões de revolta em muitas partes do mundo. Adicionalmente, esta situação também acaba por desestimular ainda mais o trabalho, desanimando o trabalhador e tornando-o presa fácil para alternativas radicais.
É fácil perceber que ambas as realidades apontadas no estudo estão presentes na vida brasileira. Aliás, o maior índice de desemprego e de baixos salários se situa precisamente nos chamados países não desenvolvidos da América Latina, África e Ásia. Naturalmente, o fato de os desempregados ou subempregados brasileiros contarem com enorme companhia, em quase todo o mundo, não serve de consolo. Nem ajuda a resolver o problema, inclusive porque apesar da possível generalização da questão, há em cada parte uma situação específica, que precisa ser analisada e resolvida de modo adequado.
O caso brasileiro reclama, há muito, postura mais objetiva e madura de todos os segmentos envolvidos, especialmente do setor oficial. Em realidade, tem-se observado que empresários e trabalhadores já amadureceram a percepção relativa ao assunto. Fica cada vez mais distante a idéia do confronto, estimulada por teorias relativas a lutas de classe, surgindo no lugar interessante evolução no entendimento entre as partes. Os acordos ocorridos há algum tempo, visando contornar dificuldades legais para propiciar melhores condições de criação de emprego, são bem elucidativos. E deixam ainda mais claro que continua a faltar no Brasil decisão corajosa das autoridades em enfrentar o desafio. Isso implica, inclusive, em alterar legislação já arcaica e, em muitos casos, contraproducente, para propiciar melhores condições à criação de empregos.
Neste, como em tantos outros problemas nacionais, tem sido possível detectar um choque entre os que insistem em manter situação obsoleta, por interesses particulares ou até por ignorância, e os que querem abertura mais ampla, propondo até a eliminação de certas determinações legais para facilitar maior oferta de trabalho. É certo - como reconhece a própria OIT -, que a desregulamentação pura e simples do mercado de trabalho não é a solução. É sempre necessário cautela para proteger a chamada parte mais fraca, que é o trabalhador. Entretanto, sem corajosa reforma a partir das atuais estruturas existentes, será difícil enfrentar o problema. É preciso que a questão seja enfrentada com discernimento e disposição para, pelo menos entre nós, se poder oferecer soluções a este drama. A OIT destaca que a situação mundial é sombria, o que impõe aos países a responsabilidade de encarar de frente este enorme desafio.





