Editorial
A governadora reeleita do Maranhão, Roseana Sarney, que convocou para amanhã uma reunião de governadores com o objetivo de avaliar a situação dos Estados no que diz respeito ao pagamento das dívidas internas e externas, definiu de forma simples e brilhante a questão da moratória da dívida, determinada pelo governador de Minas, Itamar Franco, e que criou uma nova crise para o presidente Fernando Henrique Cardoso. Se os Estados decretarem moratória, na opinião da governadora do Maranhão, o País entrará em colapso. O Brasil pode quebrar porque os municípios também se acharão no direito de não pagar suas dívidas e as pessoas físicas também, afirma a governadora, assinalando que a proposta de moratória prejudica os Estados que estão com as contas saneadas. Alguns dos governadores que participarão da reunião até defendem a renegociação da dívida, mas nenhum deles defende a moratória, informa.
A reunião que iremos fazer não é contra o Itamar Franco, mas a favor do Brasil, afirma Roseana. E esta é, sem dúvida, a posição que se reclama neste momento. Naturalmente, na situação em que se encontra, reeleita, a governadora do Maranhão tem uma posição diferente da do governador de Minas, Itamar Franco, eleito agora e recebendo uma herança terrível. Todavia, há a considerar que a mudança de governadores não altera situações existentes. Assim como leis novas não mudam situações já definidas, também se sabe que quem assume mandatos recebe as decisões adotadas pelos antecessores. É assim com os presidentes que ganham, de herança, as imensas dívidas do País, com os governadores e prefeitos, com qualquer um que assuma a direção de algum empreendimento.
Para Itamar Franco, assim como para outros governadores, a situação é sem dúvida difícil. As dívidas dos Estados são imensas, efeito talvez de administrações incompetentes ou irresponsáveis ou da própria situação atual do País, séria e complicada. Não por outro motivo, por exemplo, o governo de São Paulo anuncia uma série de cortes, inclusive nos investimentos previstos para este ano. E lá, o governador também foi reeleito. Mas vai ter de reformular os planos, porque a arrecadação não foi a prevista, exatamente devido à recessão que aflige a todos. O que se reclama, em cada caso, é uma atitude mais consequente, sem o que, como já pode ser percebido face ao anúncio do governador mineiro, o Brasil poderá sofrer prejuízos ainda maiores.
O encontro convocado pela governadora do Maranhão constitui uma oportunidade valiosa para que se faça o que, talvez, deveria ter sido articulado antes: um balanço conjunto da situação nacional, partindo-se daí para um planejamento sério, visando resolver os problemas de modo positivo. Não há como aceitar a solução simplista do não pago, como se não existissem compromissos numa sociedade civilizada e organizada. É preciso um trabalho visando encontrar alternativas. E elas certamente existem. Os governadores podem oferecer importante contribuição ao Governo da União no esforço comum para tirar o País da atual crise.
É o que está faltando, em certo sentido: a participação dos políticos, em especial dos que ocupam cargos executivos, neste grande esforço que, desde há meses, empresários e trabalhadores vem realizando para superar este momento difícil. O setor privado está lutando com todas as forças para resolver os problemas que afligem os brasileiros. Se o poder público colaborar nesta luta, de modo positivo, será possível encontrar soluções melhores que o inconsequente não pago do governador mineiro.





