A assinatura pela governadora em exercício, Emília Belinati, da autorização para que seja licitada a nova Cadeia Pública de Londrina representa o atendimento a uma vital reivindicação da cidade e região. Desde que foi inaugurada a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), com a desativação da antiga e já completamente inócua Cadeia, existe o reclamo para que outra edificação fosse feita para atender a problema tão sério quanto o dos apenados - a prisão de pessoas não condenadas, à disposição da Justiça. O que aconteceu de lá para cá foi uma série de improvisos que nada resolveram. Ao contrário, as condições da segurança pioraram, os distritos policiais, convertidos em Cadeia, sem as mínimas condições, tornaram-se estabelecimentos explosivamente perigosos.
É interessante observar a coincidência de o governo do Estado ter afinal aberto a licitação - o que constitui passo definitivo na realização da obra -, precisamente agora, quando a Igreja Católica realiza a Campanha da Fraternidade, este ano com o tema da situação dos encarcerados. Embora uma coisa certamente nada tenha a ver com a outra, é certo que o enfoque direto dado à tão dramática questão provoca reações. A realidade da situação carcerária, não só em Londrina, mas no Paraná e no Brasil, é terrível. Superlotação, falta de um mínimo de condições de higiene, abandono quase total, promiscuidade, doenças e estímulo maior à criminalidade é o que se pode perceber. E sem atitudes concretas e uma política corajosa, esta situação só tende a se agravar.
A construção de uma nova Cadeia em Londrina não vai ajudar a resolver apenas a situação dos encarcerados. Muita gente, inclusive, contesta a preocupação a respeito, ponderando que se alguém está na Cadeia é porque fez alguma coisa errada. E completa assinalando que ponderável parcela da população vive tão mal ou até pior que os presos, na miséria e na fome.
Entretanto, é importante perceber que se a Cadeia não realizar a obra a que se destina, que é a de reeducar e devolver ao convívio social o preso, a coletividade também sofre. Tem sofrido, aliás. Fugas de presídios e de prisões comuns constituem fatos quase que corriqueiros. E estes criminosos que fogem aumentam a insegurança da população. Os que não conseguem fugir, quando finalmente são libertados, depois do tratamento desumano que recebem ali, constituem igualmente elementos da maior periculosidade para o cidadão comum. Criar boas condições para o preso e, inclusive, propiciar situação humana a quem aguarda julgamento (e, portanto, pode ser inocente), não é só uma atitude cristã ou humana, é até um tipo de defesa da própria sociedade.
Os problemas de segurança de Londrina, como do Paraná, não se resolvem com a construção de uma nova Cadeia. É certo, porém, que representam não apenas um início, mas mostram que o governo do Estado está agora disposto a agir. Ademais, neste momento, a situação londrinense mais que reclamava a solução para este drama. Entretanto, como a obra só ficará pronta no próximo ano, será necessário que o Estado ofereça medidas urgentes para superar as atuais dificuldades.
Este é um reclamo geral, sem dúvida, no Paraná. No momento em que o Congresso aprova uma lei que torna crime e penaliza severamente o porte de armas, mais séria ainda é a necessidade da ação policial para a segurança do povo. Pois se é certo que o cidadão comum, armado, não está melhor protegido, até por não saber usar a arma, também é indiscutível que os marginais pouca atenção darão a este novo diploma legal. O que é preciso é que o Estado tenha em mente sua enorme responsabilidade no sentido de garantir segurança para toda a comunidade.

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