Editorial
O reajuste determinado pelo Banco Central para a banda cambial representa mais um dos muitos passos necessários na difícil tarefa de controlar os diferentes fatores econômicos neste lento processo da estabilização. Desde há algum tempo, os exportadores têm insistido numa alteração cambial, com desvalorização do real, apontando a medida como necessária diante da própria pressão do mercado internacional. A valorização do real é apontada pelos exportadores como uma das dificuldades para a exportação brasileira porque os produtos nacionais não conseguem competir no mercado externo.
Ocorre que uma eventual máxi (ou mesmo mídi) desvalorização do real, que em tese facilitaria a vida dos exportadores, teria tremendos reflexos sobre a economia interna, inclusive na inflação, uma vez que provocaria encarecimento dos produtos importados. Em princípio, isto pode parecer bom porque diminuiria a importação, o que melhoraria ainda mais as possibilidades de equilíbrio na balança comercial. Há, porém, produtos que precisam ser comprados lá fora, como o petróleo e seus derivados, além de máquinas e tantos outros itens que iriam pesar sobremaneira na situação interna.
Neste quadro, é preciso controlar as coisas, o que se tentou com a nova banda cambial, com desvalorização média do real em torno de 8%. Como qualquer tipo de reajuste provoca reação, é certo que haverá efeitos internos em consequência disto, mas em nível bem mais tolerável do que se as autoridades houvessem se submetido às pressões para desvalorização maior. Haverá, por outro lado, certa melhora na competitividade dos produtos brasileiros no mercado externo, o que deve ajudar a reduzir o déficit na balança comercial.
É efetivamente delicado este processo que visa manter o equilíbrio entre os mais complexos fatores da economia. No particular, inclusive, é possível afirmar que o Banco Central tem agido de modo bastante adequado ao longo dos tempos, no acompanhamento da situação, contornando os problemas e agindo nos momentos certos. Esta alteração na banda cambial comprova isto. Desde há muito as pressões no sentido de alterações no câmbio têm sido enormes, mas o BC conseguiu superá-las, com margem satisfatória em suas decisões. Em outros campos, igualmente, o Banco tem atuado de modo ponderado, servindo suas atitudes até como garantia de que o processo econômico prosseguirá sem sobressaltos.
A verdade é que a situação econômica nacional ainda reclama acompanhamento bastante firme e constante por parte das autoridades. Existem fatores que parecem conflitantes e que devem ser adequadamente tratados. Há, por exemplo, novos boatos sobre a possível adoção de algum tipo de freio econômico diante do quadro do crescimento do déficit na balança comercial. Estas especulações, porém, esbarram até na forma como toda a questão vem sendo tratada. O ajuste na banda cambial deve ajudar na melhoria das exportações, ao tempo em que servirá para conter, um pouco, ao menos em certas áreas, as importações. Estes resultados indiretos, como os que se esperava obter com a reintrodução da CPMF, são muito melhores do que medidas coercitivas sobre o crédito, defendidas por alguns. Se o mercado se equilibra sozinho, sem freios oficiais, isto é inegavelmente melhor e até evidencia o amadurecimento nas relações comerciais devido à cada vez maior conscientização da população.





