Um caso recente de violência contra a mulher chocou o país. Na cidade de Natal (RN), Juliana Garcia foi agredida pelo namorado Igor Cabral com 61 socos. O episódio foi registrado por uma câmera no elevador do prédio e o autor da agressão, preso em flagrante. Para especialistas, o caso carrega um simbolismo ancorado na cultura machista.

“Agressores normalmente atacam o feminino do corpo humano, (incluindo) rosto, seios e ventre como um recado de que aquele corpo pertence a eles”, afirma a promotora do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Valéria Scarance, à Agência Brasil. Ela destaca que agressores praticam atos de violência imbuídos de um “sentimento de posse e superioridade em relação às mulheres”.

De acordo com o último Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na semana passada, houve novo aumento no número de feminicídios: 1.492 casos em 2024. O número representa quatro mortes de mulheres por dia. É a maior quantidade desse tipo de crime desde 2015, início da série histórica.

Segundo o levantamento, 63,6% das vítimas eram negras. Além disso, 70,5% tinham entre 18 e 44 anos e oito em cada dez foram mortas por companheiros ou ex-companheiros. Os feminicídios dentro de casa são maioria (64,3%).

Já os casos de tentativa de feminicídio foram 3.870 no ano passado, 19% a mais do que no ano anterior. As agressões registradas contra mulheres foram de 256.584 casos (em 2023) para 257.659 (no ano passado).

“A cada 15 segundos, uma mulher está sendo espancada no Brasil. E normalmente não há câmeras como o caso que foi flagrado em Natal. Acontece em áreas isoladas dentro de casa”, diz Analba Brazão, que é educadora do SOS Corpo - Instituto Feminista para a Democracia. Ela defende que são necessárias mais políticas públicas para estimular novas denúncias de violência contra a mulher.

Em vigor desde 2006, a Lei Maria da Penha tornou possível um “novo tempo” no Brasil, em que a violência contra mulheres deixou o âmbito privado e ganhou domínio público. É consenso, no entanto, que muitos casos não chegam ao conhecimento das autoridades. Para reduzir esse problema é preciso que vítimas e testemunhas denunciem. Há vários canais para isso. Em casos de emergência, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo número 190, em todo o Brasil. Outro caminho disponível é via Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos pelo canal do WhatsApp (61) 99656-5008. E quando as pessoas denunciam, possíveis feminicídios são evitados.

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