Vantagens do crescimento
Ao analisar a balança comercial brasileira do ano passado, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, afirmou que o resultado teve repercussões muito importantes sobre a economia brasileira. Mesmo levando em conta que, em valores, o saldo ficou aquém do esperado, Amadeo considerou o desempenho em volume extremamente positivo porque tem impacto relevante no nível de atividade econômica, principalmente na geração de produção e empregos. O secretário insistiu que este impacto do desempenho da balança comercial foi mais forte do que ele poderia imaginar. As importações tiveram queda em volume e as exportações, por outro lado, aumentaram. Para demonstrar a recuperação da balança comercial, o secretário comparou os números do quarto trimestre de 99 com os últimos quatro meses de 1998, que indicam o crescimento de 21,3% das exportações no período. Amadeo lembrou que as exportações estão diversificando os mercados de destinos, e que o crescimento das vendas para países fora da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) foi maior.
A primeira vez em que o Brasil resolveu adotar uma política agressiva de exportações foi logo após o golpe militar de 1964. Na época, um interessante diagnóstico feito pelos especialistas que assumiram a condução da economia nacional indicava que o País precisava aumentar sua produção para atingir o patamar de desenvolvimento que reclamava há séculos. Como porém os dirigentes econômicos sabiam que a maioria da população vivia com uma renda ínfima, a idéia de aumentar a produção esbarrava na dificuldade de ter quem a consumisse. Surgiu então a idéia de se buscar consumidores externos. Era um plano de longo prazo: depois que a produção aumentasse e os ricos ficassem mais ricos, melhoraria a condição dos brasileiros.
Hoje, felizmente, a mentalidade mudou. A intenção de conquistar mais mercados visa garantir ao povo desde já melhores condições de vida e uma adequada participação neste crescimento. O que Edward Amadeo destaca é precisamente isto: o aumento nas exportações tem reflexos valiosos sobre a economia interna, representando mais empregos, melhoria nas condições de vida da população, enfim todo o quadro de crescimento que é reclamado pelos brasileiros. Mais importante ainda é insistir na necessidade de se continuar por esta trilha, investindo na produção, em todos os setores, não apenas para aumentar o valor das exportações mas como um meio efetivo de produzir riquezas e melhorar sua distribuição.
Um dos grandes mentores do projeto estabelecido pelo governo militar, o ex-ministro e agora deputado Delfim Neto, diante das reclamações em face das dificuldades do povo, insistia na tese de que era preciso primeiro aumentar o ‘‘bolo’’ – ou seja, a riqueza nacional – para depois reparti-lo. A idéia funcionou até certo ponto, mas a propalada divisão não aconteceu. Foi apenas após o lançamento do atual plano de estabilização que se percebeu a mudança, com uma redução – ainda que insuficiente – no total dos marginalizados no País. É preciso, porém, insistir na idéia e investir na produção, para que surjam os resultados necessários. Produzir mais, não apenas para exportar, mas para garantir vida melhor ao cidadão brasileiro.

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