Usuário de rodovias ganha voz
A decisão do Fórum dos Usuários de Rodovias do Paraná, realizado sexta-feira em Londrina, de se criar uma associação para discutir a concessão e a exploração de serviços de rodovias no Estado, representando o interesse da sociedade civil, constitui, independente de qualquer outro resultado, um fator que por si só justifica o encontro, além de representar um passo fundamental no importante processo de valorização da cidadania. Fruto de uma tomada madura de posição por parte dos principais interessados, a nova entidade abre uma etapa da maior importância no sentido de restaurar o primado da participação do povo na análise e encaminhamento de problemas que interessam à coletividade. O Fórum foi uma proposta apresentada pelo superintendente da Folha de Londrina/Folha do Paraná, José Eduardo Andrade Vieira.
A Associação dos Usuários de Rodovias do Paraná reafirma o novo tempo de participação vivenciado pelos brasileiros nos últimos anos. O Fórum, que abriu esta possibilidade, já era basicamente sintomático desta postura nova que envolve os brasileiros. A criação de uma ONG (organização não-governamental), decidida ali, constitui uma consequência quase natural dentro da realidade que o país está vivendo. É uma etapa adicional num processo já irreversível no Brasil e que representa, principalmente, a maturidade de um povo que vem, por meio de uma ação cada vez mais importante, assumindo seu próprio destino.
A História recente do Brasil tem evidenciado este despertar da consciência brasileira. Aquele povo que, ao longo dos séculos, vinha sendo manipulado percebeu seu papel e o assumiu, conseguindo provocar importantes modificações, inclusive na esfera política. Para que este processo atingisse um estágio de maior validade foram sendo criadas entidades que, de modo concreto, agem objetivamente na defesa dos direitos da cidadania. Este é o papel que vai desempenhar, a partir de agora, a nova Associação dos Usuários de Rodovias do Paraná na crucial questão que envolve não só a cobrança e o valor do pedágio, mas todo o processo de terceirização e de administração das rodovias. Ontem, a associação já levantava sua primeira bandeira, referente à redução do pedágio para caminhões no período de safra.
É inegável a importância que esta Associação pode ter, inclusive como auxiliar do próprio governo na administração desta questão. Importa perceber que entidades deste teor representam atualmente o grande papel de partícipes efetivos no processo de administração da vida nacional. Constituem o aspecto real da afirmativa constitucional segundo a qual ‘‘todo o poder emana do povo’’. A idéia da democracia representativa, que surge diante da complexidade da vida moderna, não prescinde da participação efetiva do povo, que não pode se limitar apenas ao voto ou mesmo à atuação na vida política. Entidades nos moldes desta nova Associação ocupam um vazio no processo democrático, permitem uma atuação mais efetiva do povo, abrem possibilidades para um aprimoramento na própria gestão da atividade pública.
O Fórum realizado em Londrina deu, sem dúvida, partida a uma nova e importante fase no processo que, envolvendo as rodovias, interessa diretamente à coletividade. A Carta de Londrina, surgida ali, evidencia a preocupação em torno do assunto e a intenção de uma participação maior na busca de soluções capazes de garantir as melhores alternativas em uma questão de relevância vital. A Associação, criada na oportunidade, é um veículo concreto neste projeto. Entre outras coisas, representará o lado até agora não levado em conta pelo processo que envolveu toda a questão das rodovias. É, sem qualquer dúvida, o povo participando de modo direto na formulação de decisões que afetam a vida de todos os brasileiros.

mockup