Editorial - União vital
O governo federal precisa ouvir atentamente este verdadeiro grito de alerta que se consubstancia no movimento em favor da produção e do emprego, organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, com o apoio de sindicalistas e parlamentares. Esta união entre produtores e trabalhadores, com o apoio também de políticos, representa sem dúvida um dos fatos mais relevantes neste final de ano, um esforço genuíno no sentido de tirar o Brasil desta dura situação que enfrenta, apesar, ou até por causa, do êxito já obtido com o plano de estabilização. De fato, os excelentes resultados conquistados na luta contra a inflação verdadeiramente desumana que o país enfrentou por longos anos e que mudaram a situação econômica brasileira, não são suficientes para resolver os imensos problemas nacionais. Na verdade, vencer a inflação, por mais complicado que foi chegar a isto, era apenas uma etapa. Não se pode desconhecer que só com isto já foi possível resgatar muitos brasileiros da fome e da miséria. Mas ainda há uma imensa faixa da população em dificuldades. E, o que é pior, a recessão que vai se percebendo ameaça até mesmo os bons resultados já obtidos. Não se pode sequer deixar de levar em conta que já há uma boa parcela da sociedade pedindo um pouco de inflação, como se isto fosse a solução para os problemas atuais.
Naturalmente, o de que não se necessita agora é da volta da inflação. Aquela tola ilusão, alimentada durante anos, de que era possível estabelecer a convivência entre inflação e crescimento já deveria ter sido sepultada diante da verdadeira catástrofe dos anos precedentes. O que se conseguiu então foi uma indexação abusiva e uma inflação galopante, que não apenas destruía a economia, mas feria até o organismo social, com todos os seus males. O Brasil realizou, sem dúvida, um grande feito nestes quatro anos de luta e, agora, precisa ir além, enfrentando os outros desafios, como o desemprego que gera a falta de esperança e ameaça ainda mais uma sociedade que sente seu potencial e reclama apenas condições para atingir seus objetivos.
No documento distribuído ontem antes do debate com os setores participantes, a Fiesp apresentou algumas sugestões pertinentes, muitas das quais já vêm sendo repetidas, o que não lhes tira a validade. O apelo pela formulação conjunta, envolvendo governo, empresários e trabalhadores, de medidas de estímulo à geração de emprego e renda, é básico. A necessidade de redução imediata da taxa de juros a 20% ao ano e manutenção da curva de queda para níveis internacionais no decorrer de 99, além da redução imediata da TJLP e da eliminação da cunha fiscal embutida nas taxas, são naturais. O pedido de efetiva liberação dos recursos voltados para a produção, em condições competitivas, especialmente para as micro, pequenas e médias indústrias é também plenamente defensável. Também o tópico relativo à reforma tributária, com uma proposta que, mantendo a diretriz do ajuste das contas públicas, distribua melhor o peso dos tributos, de modo a desonerar a atividade produtiva e estimular a geração de empregos, é igualmente importante.
Não há, efetivamente, novidades. E, naturalmente, este documento ainda é inicial. A ponderação, por exemplo, do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Paulo Pereira da Silva, alegando que é preciso convocar todos os setores da economia para este projeto, é válida. De fato, é vital que esta união seja plena, envolvendo indústria, comércio, serviços, agricultura (e os trabalhadores, naturalmente) porque todos têm interesse neste movimento. É também imprescindível que o governo atente para ela e se una para que de fato o Brasil possa esperar um ano novo melhor, uma vida melhor em 99.





