As boas vendas ocorridas nos últimos dias, principalmente na semana que antecedeu o Natal, surpreenderam os lojistas em todo o País. O presidente da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), Carlos Stupp, aposta que o bom ritmo continuará nesse final de ano. Segundo ele, as vendas do Natal foram em sua maioria à vista e de curto prazo, prevalecendo a cautela no gasto por parte do consumidor. ‘‘Preliminarmente, as vendas foram, em média, melhores do que as efetivadas no ano passado. Muitos produtos de baixo poder aquisitivo venderam bem’’, explicou.
No quadro negativo observado ao longo do mês de dezembro, quando o comércio não contratou tanta gente quanto em outras épocas, o presidente da CNDL encontra um dado positivo: ele prevê que o comércio este ano não terá a dispensa de trabalhadores em massa, como ocorreu em épocas passadas, exatamente porque não houve um elevado número de trabalhadores temporários contratados. Ademais, as boas vendas do comércio deverão ajudar as indústrias a ter bom movimento no início de 99, já que os estoques terão que ser refeitos pelas principais lojas instaladas em cidades importantes do País.
Em meio a tantas notícias negativas que estão acompanhando o final de ano, juntamente com perspectivas das mais pessimistas, esta notícia da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas injeta um pouco de ânimo, absolutamente necessário para que se enfrente de modo adequado o desafio de 1999. Não se trata de tentar criar uma lente cor-de-rosa para mascarar as dificuldades, mas de entender que só existe um modo de enfrentar os problemas que tantos antecipam diante do ano que vai começar: é com trabalho, disposição, coragem e vontade. Naturalmente, chega a ser tentadora a postura pessimista, a aceitação passiva da previsão mais negativa diante de uma situação que de fato parece insuperável. Todavia, os fatos positivos, como o resultado das vendas de Natal, indicam basicamente que existe uma outra possibilidade.
É até imperioso insistir na tecla segundo a qual a futurologia não é nem ciência. É apenas um modo de encarar o futuro, tendo como base certas premissas. Ocorre que dependendo do modo como se encarem os fatos, das lições que podem e devem ser tiradas deles, é possível tanto ter uma visão catastrófica quanto uma perspectiva melhor. Não se trata, ademais, de visualizar apenas os dois modos de ver uma situação, como aquele teste em que se coloca um copo com água até a metade. O pessimista diz que só sobrou meio copo, o otimista se sente feliz com o fato de ainda haver meio copo com o líquido. A questão, no caso brasileiro, não é só esta: o Brasil continua a ter um potencial ainda não explorado em termos de produção e trabalho. O desafio é encarar a situação e buscar alternativas concretas para responder aos problemas que de fato existem.
Naturalmente, uma boa parte dos problemas atuais do País reclama soluções amplas e profundas do governo. Há leis que atrapalham a atividade produtiva, há falta de estímulo oficial a um crescimento econômico, o que é fundamental para se reverter esta perspectiva de crise. Entretanto, como se sentiu e vivenciou nos últimos quatro anos, a população brasileira conseguiu superar muitos dos obstáculos com coragem e disposição, apesar das falhas do governo e da demora na concretização das reformas. O despertar do senso de cidadania, produzido pelo plano de estabilização, representou um marco real na evolução do povo e na solução de muitos problemas. Este ainda é o rumo básico para se poder ver com lentes mais claras o ano que vai começar: a disposição individual de agir, apesar da falta de apoio e visão do governo.

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