Numa semana em que a chacina de turistas no Egito chocou o mundo e a crise nas moedas e bolsas asiáticas continuou dominando o noticiário, com fortes reflexos no Brasil, passou em segundo plano a ameaça de uma nova guerra no Golfo Pérsico. Felizmente, o mundo não precisou assistir a mais um absurdo, que desta vez traria como requinte escudos humanos formados por mulheres e crianças iraquianas postadas diante de palácios e outros alvos militares em Bagdá. O ditador Saddam Hussein recuou e permitiu a volta dos inspetores da ONU, desarmando-se, ao menos temporariamente, o gatilho de mais uma sandice.
Às vésperas do terceiro milênio, que os místicos esperam ser uma era de grande evolução espiritual - embora outros esperem um improvável apocalipse até o fim deste século -, o mundo ainda é um lugar de brutalidades, fanatismos e disputas irracionais. Mas certos eventos, significativos, ocorridos nos últimos anos, notadamente o fim da guerra fria, renovam a esperança de que afinal a humanidade se aproxima, se não de uma era de paz, pelo menos de soluções negociadas ainda que à força.
Um exemplo disto, duro mas bem sucedido, acontece no próprio Iraque. Depois de sua insana aventura no Kuwait, o ditador Saddam Hussein tem de sentar para negociar e o povo iraquiano sabe quanto lhe está custando a aventura do seu tirano. Pode não desejar ainda o seu fim, mas está aprendendo que a guerra não é o caminho para a felicidade, mas para a desgraça. Até hoje o povo sofre as consequências das sanções econômicas, e isto só terminará quando a ONU - que é o forum para resolver todas as diferenças - considerar que a ameaça iraquiana contra seus vizinhos não existe mais.
Triunfou, desta vez, o entendimento e o fato é motivo de júbilo. Hussein aceitou a presença dos fiscais da ONU, entre os quais norte-americanos, e isto é prova de que o ser humano, sob certas circunstâncias, pode preferir a razão em vez da violência. Naturalmente, isto não é o fim das atribulações do mundo diante das ameaças do líder iraquiano, mas é um ponto a favor. Melhor uma crise resolvida, ainda que não definitivamente, do que o risco de se incendiar o Oriente Médio.
Neste quadro, ainda muito incerto, o que se deseja ardentemente é que de fato o bom senso governe as mentes dirigentes - do Iraque, de Israel, dos Estados Unidos e aliados -, permitindo não só o fim de uma crise, mas o começo de uma fase melhor nas relações entre os povos. Os iraquianos, como todos os seres humanos do mundo, merecem viver em paz, trabalhar e aspirar a um futuro melhor, o que não parece tão difícil de conseguir se Saddam foi capaz de usar a cabeça.

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