EDITORIAL - Uma briga sem sentido
Não de hoje futebol e veículos de comunicação têm se estranhado, porque no mais dos casos há futebol de menos e cobranças demais, eis que o contrário é que nunca ocorre, pois se um time vai bem, todos aplaudem e não há do que reclamar. Nunca se soube que uma agremiação tenha sido criticada por ser campeã. Em Londrina, a segunda mais importante cidade do Estado, terceira do sul do País em importância e que tem um time de futebol não tão à altura desses rankings, trava-se agora uma briga pública entre a presidência do Londrina Esporte Clube e uma rádio local. O veterano jogador Carlos Alberto Garcia, ídolo da torcida alvi-celeste dos gloriosos anos setenta e agora presidente do clube em que jogou, ameaça entregar o cargo, nesta segunda-feira, por causa da carga de críticas que comentaristas daquela estação têm feito, a ele e ao desempenho do time.
O fato poderia passar ao largo de avaliação, mas é a primeira vez que um caso destes ocorre e, pelo ineditismo, mobiliza a opinião pública regional, que tem no Londrina o único time capaz de atrair espetáculos esportivos de maior nível, pelo fato de participar dos campeonatos da segunda divisão do futebol brasileiro. De um lado, narradores e cronistas esportivos acusados de extrapolar funções, até pelo entusiasmo, ao derivar para uma suposta ingerência no comando do clube, e isto irrita dirigentes. De outro, o presidente de um clube tradicional revelando-se desestimulado ante tais críticas, mesmo que revestidas de uma certa intromissão e de uma discutível posição de impedimento. Liberdade ou licenciosidade, eis o limite que o dirigente põe à mesa do Conselho Deliberativo, mas declarando-se disposto a sair de campo.
Companheiros de diretoria e mesmo os torcedores estes embora não tão contentes com os sucessivos revezes do time, que neste meio século de existência não lhes deu muitas alegrias demonstram propensão a depositar um voto de confiança no antigo ídolo e agora comandante do clube. Lado a lado, as duas facções compõem o mesmo corpo de apaixonados pelo time, a ponto de chegarem à exacerbação de estados de emoção. Nada tão grave que um bom entendimento não possa dissolver. Certo é que as atenções estão voltadas para o episódio, o que de certa forma demonstra a importância que o Londrina representa para a comunidade não só londrinense mas regional. Se o clube importa muito para a emissora, é também verdade que a emissora é importante para o clube. O que se espera desse entrevero é que sobrem lições proveitosas para ambos, porque há missões maiores pela frente com as quais o time, torcedores e os divulgadores do espetáculo esportivo ainda terão de se defrontar.





