Passado o Carnaval, seguimos para "o resto do ano". E que ano promete ser 2026! Primeiro, a realização da Copa do Mundo nos Estados Unidos, México e Canadá em junho e julho. Depois, as eleições brasileiras em outubro, com um cenário que promete novamente uma polarização inevitável.

Uma amostra do que o mês de outubro nos aguarda foi a polêmica ponte já estabelecida entre Carnaval e Eleições, com a realização do desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Lula no domingo (15), no Sambódromo do Rio de Janeiro. A oposição viu propaganda antecipada em ano eleitoral e uma chuva de ações devem chegar ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nos próximos dias.

A velha máxima de que o ano começa após o Reinado de Momo, pelo visto, no quesito política/eleições, o ano de 2026 está a todo vapor. Mesmo assim, o cidadão ainda tem tempo de se recuperar do período das ruas cheias e agitação, antes de se aventurar em um novo tempo de torcidas, polêmicas e polarização.

Hoje (18), Quarta-feira de Cinzas, o país acorda diferente. Depois de dias em que as cidades pulsaram em ritmo de samba, blocos e fantasias, o calendário litúrgico e cultural nos conduz a um outro tempo: o da Quaresma. Se o Carnaval é agitação, a Quaresma é recolhimento, convite ao silêncio, à introspecção e à revisão de caminhos.

A Quaresma é o período de 40 dias que antecede a Páscoa no calendário cristão. É um tempo tradicionalmente marcado por práticas como jejum, oração e caridade — não apenas como rituais externos, mas como exercícios internos de disciplina e consciência.

E a Quarta-feira de Cinzas não representa apenas o fim oficial da folia; ela marca uma mudança de estado de espírito. Independentemente da religião, a ideia de reservar um período para reflexão é profundamente atual. Vivemos em uma era de excesso de informação, de estímulos, de cobranças. Nesse contexto, é muito bem-vindo um convite à pausa, um tempo para avaliar prioridades, rever atitudes e cultivar a espiritualidade e o autoconhecimento.

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