Em uma semana de muita turbulência decorrente do uso político da vacina contra a Covid-19 (que nem tem prazo para chegar por aqui), uma notícia ajudou a aumentar a preocupação em relação ao novo coronavírus. Trata-se da confirmação, no dia 9 de dezembro, pelo Ministério da Saúde, do primeiro caso de reinfecção pela Covid-19 no País. O caso é de uma médica de 37 anos que mora em Natal, capital do Rio Grande do Norte.

Outros 58 casos suspeitos de reinfecção estão sob investigação. Mas o caso da médica potiguar foi o primeiro a se encaixar em todos os requisitos que levam à confirmação de reinfecção.

Ela teria se infectado pelo novo coronavírus em junho, quando teve sintomas de gripe como dor de cabeça, dor abdominal e coriza, mas se curou da doença, que foi confirmada por teste do tipo RT-PCR, que detecta a presença do material genético do vírus e indica que o paciente passa pela fase aguda da infecção.

Cento e dezesseis dias depois do primeiro diagnóstico, em outubro, a mulher recebeu novo resultado positivo de teste RT-PCR para a Covid-19. Na segunda infecção, ela sentiu fraqueza e dor muscular, dor de cabeça e distúrbio do olfato e paladar (anosmia).

As amostras coletadas nos dois episódios foram enviadas ao laboratório da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, onde houve a confirmação de que as linhagens dos vírus que infectaram a mulher nas duas vezes em que ela teve Covid-19 eram diferentes. Essa é a confirmação aceita pela comunidade científica de que uma pessoa sofreu reinfecção.

Os casos comprovados de reinfecção são raros em todo o mundo, mas é um fato que acrescenta mais uma preocupação a tantas que o coronavírus desencadeou desde que foi descoberto em dezembro do ano passado. E mostra que a comunidade científica ainda tem muito a descobrir sobre o vírus. Como, por exemplo, como fica a imunização após a Covid-19 e até mesmo após a vacinação?

Além disso, reforça a orientação que mesmo as pessoas que contraíram o novo coronavírus devem manter os cuidados básicos, como uso de máscara, seja porque podem carregar o vírus, seja porque agora há comprovação da reinfecção.

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