A expectativa de vida em praticamente todo o mundo está superando a cada dia seus limites. Em 1955, nos países desenvolvidos, a expectativa era de 65 anos. Hoje, mais de trinta anos depois, é de 75 anos, enquanto o número de centenários aumenta. Nos Estados Unidos, o número de maiores de 65 anos foi multiplicado por 11 desde 1990, passando de três a 34 milhões. Até 2050, este número deverá dobrar e chegar aos 79 milhões. As autoridades estimam que, de 1995 a 2050, o número de pessoas maiores de 85 anos dará um salto de 400%, chegando a 18 milhões.
Segundo alguns pesquisadores, a fonte da juventude estaria ao alcance da mão. A empresa americana Geron Corporation conseguiu recentemente prolongar a vida de algumas células mantendo-as saudáveis. Outros especialistas anunciaram na revista Science ter cultivado células indiferenciadas que em certo prazo permitem desenvolver a pele, novos nervos ou um novo órgão. De acordo com outro estudo, as células do cérebro continuarão se reproduzindo na idade adulta, ao contrário do que se pensava antes, ou seja, que seu número se reduzia regularmente depois do nascimento. Isto representa uma esperança para os que sofrem dos males de Parkinson ou Alzheimer. Em todo caso, estes ‘novos velhos’ dão mostras de ter uma saúde cada vez mais resplandecente. Em seu recente livro, ‘Successful aging’ (Envelhecendo com sucesso), o doutor Robert Khan destaca que, em 1994, 89% das pessoas de 65 a 74 anos nos Estados Unidos não tinham qualquer problema de saúde, 73% continuavam nas mesmas condições entre 75 e 84 e 40% continuavam sendo totalmente autônomos depois dos 80 anos.
O Brasil, apesar das dificuldades, acompanha este ritmo. Está crescendo, a cada ano, o total dos idosos. Este, que já foi o país dos jovens, vê sua população envelhecer cada vez mais. E, ao contrário do que acontece em nações desenvolvidas, não está havendo uma programação visando aproveitar esta situação. Hoje, como há 50 anos, quando a perspectiva de vida do brasileiro era muito menor, o chamado idoso é visto do mesmo modo, em muitos casos é marginalizado e chega a se sentir como um estorvo. Para quem passou dos 40 anos no Brasil encontrar emprego é uma dificuldade. Naturalmente, no quadro recessivo em que o País vive, tanto os mais jovens quanto os mais velhos (e também os que se encontram na faixa intermediária) enfrentam enorme dificuldade para ingressar ou se manter no mercado de trabalho. Todavia, é importante que haja uma percepção sobre esta nova realidade, que pode até mudar conceitos quanto à aposentadoria e afastamento do trabalho.
Os avanços da medicina, da higiene, dos conceitos sobre a situação do mundo em geral, estão propiciando esta condição para que o ser humano tenha cada vez perspectiva maior tanto de tempo como de qualidade de vida. É natural que esta situação seja observada com mais critério e atenção, inclusive pelas autoridades, até porque esta realidade estabelece uma série nova de necessidades em termos de projeções para o serviço público. O século 21, seguramente, deve ter uma crescente população mais idosa, o que deve estabelecer uma séria mudança nas iniciativas de governo, tornando mais presente o sempre complicado debate sobre a aposentadoria do trabalhador. Não se pode também esquecer que este aumento no período de vida em geral implica em mais encargos para a Previdência. Encarar esta nova realidade de modo objetivo e até aprofundar os estudos sobre os efeitos disto na vida do brasileiro é mais que oportuno, é necessário e urgente.

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