A maior herança recebida pelo Brasil dos portugueses, incluindo aí os imperadores Pedro I e Pedro II, foi a unidade nacional. Estudiosos de História são unânimes em considerar que não fosse a Monarquia, que se sucedeu à Colônia, o Brasil poderia ter se fragmentado, como aconteceu com os países da chamada América espanhola. Pedro I foi o grande artífice da construção deste Brasil e apenas perdeu a chamada Província Cisplatina, o Uruguai, que na verdade não tinha reais ligações com o restante do país. Já seu filho, Pedro II, que por mais tempo governou o Brasil, foi o responsável pela consolidação desta realidade que vivemos agora, superando sedições seccecionistas em vários pontos do território nacional.
Esta herança constitui não apenas motivo de orgulho, mas garantia efetiva para este país de atingir os destinos que ao longo do tempo se antecipam. Este País-continente, imenso, ainda não totalmente explorado, representa o maior e mais importante capital de todos. E seu desenvolvimento pleno, harmônico, completo representa um desafio e uma certeza. Só na medida em que explorar toda sua potencialidade é que o Brasil atingirá a posição que todos almejamos e que, como resultante natural, trará também o crescimento e o progresso para estes milhões de cidadãos que vivem nas mais diferentes condições nas diversas regiões que o formam.
Aos brasileiros, desde 1822, incumbe o encargo de preservar esta herança e de realizar este potencial. O Brasil é o nosso país, este gigante imenso que muitas vezes dá a impressão de continuar descansando em berço esplêndido, mas que já evidenciou a coragem e a disposição de um povo que consegue superar as adversidades com galhardia. É um continente cheio de contrastes, o que é natural até. O clima é diferente, a formação étnica de suas regiões, também. Todavia, é uma unidade que tenta (e precisa) realizar o convívio na diversidade. E é nesta diversidade também que reside uma de suas muitas riquezas e possibilidades.
Em momentos de crise, como este que o país está atravessando, surgem (e ressurgem) manifestações controversas, idéias esquisitas (para dizer o mínimo) e movimentos que pareciam mortos, como este que prega, de novo, a secessão nacional. Um verdadeiro contra-senso diante da realidade uma vez que não há quem discorde que a divisão não é, jamais, solução e que é precisamente nas horas mais difíceis que se faz necessária a união de todos em torno de um mesmo ideal. No caso, o ideal chamado Brasil, que recebemos de graça e imenso em função da luta, do sacrifício de muitos ao longo da História, e que devemos preservar, até como imperativo para realizar o grande destino que este país tem e que é nosso.
Há, sem dúvida, sérios problemas regionais. O maior deles talvez resida na própria e falha estrutura política que define o país como uma Federação que, na prática, não funciona. Este é um forte obstáculo ao próprio crescimento do país. Naturalmente, a solução não é a secessão, a fragmentação deste gigante em estruturas regionais. É muito mais simples: depende de coragem política para mudanças estruturais, como as que se reclama para a estabilidade. O de que se trata é de adequar a Constituição a um Estado realmente federado, nos moldes mesmo dos Estados Unidos da América. Como nos têm faltado coragem para mudar até a estrutura administrativa, é difícil esperar transformações mais amplas. Entretanto, a própria reforma tributária pode ser um caminho para mudar isto, sem a necessidade de movimentos separatistas que apenas servem para solapar a própria cidadania.

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