Editorial - Um bom ano 2000
Um bom ano 2000
O otimismo no início de um novo ano é quase natural, por piores que sejam as circunstâncias. O que acontece, porém, muitas vezes, é que em poucos dias toda a esperança que o ano novo traz acaba fenecendo diante de uma realidade dramática. Foi o que se vivenciou no ano passado. Quando 1999 começou havia a esperança costumeira que ganhava até contornos mais firmes porque o ano marcava a posse (e em muitos casos a reposse) de novo presidente, de novos governadores e de novos Legislativos. O que se viu, porém, foi uma tremenda e dura decepção, antes mesmo que o primeiro mês do ano terminasse. Veio a desvalorização do real, a crise cambial, toda a estrutura econômica se viu abalada e o País viveu meses de inquietação e temor, inclusive propiciando uma agitação política muito perniciosa. O desemprego aumentou, a esperança caiu. A inflação, que parecia ter sido finalmente vencida, reaparecia com todas as suas mazelas. Durou muito pouco o bem-estar produzido pelo novo ano, no alvorecer de 1999.
Hoje, porém, existem circunstâncias diferentes, há reais motivos para se ter uma expectativa positiva face ao ano que começa, existem motivos sólidos que oferecem esperanças de que, efetivamente, o Brasil poderá iniciar, agora, uma nova e tão necessária etapa em sua vida econômica e social, com um há muito adiado aquecimento da economia, com todas as suas consequências positivas. A impressão é a de que os piores problemas já foram superados e que existem agora condições concretas para que haja aquele efetivo crescimento que possa se refletir na melhoria de vida dos brasileiros, constituindo o tão necessário resgate da cidadania de milhões de pessoas, ainda marginalizadas e vivendo em condições de miséria.
Naturalmente, para que estas esperanças se concretizem, será necessário que haja a continuidade do trabalho e da vontade de todos, notadamente dos que detêm cargos de comando na vida nacional. Logo neste começo de janeiro o Congresso Nacional estará, outra vez, iniciando um período de convocação extraordinária, com uma pauta muito alentada e importante. Deixando de lado o lamento pela não realização do trabalho esperado, no ano que passou, subsiste a esperança de que o trabalho se desenvolva adequada e firmemente e que os legisladores federais brasileiros cumpram sua parte neste processo, analisando, aprimorando e aprovando as medidas há muito reclamadas por todos, o que inclui as famosas e ainda não concretizadas reformas nas estruturas fundamentais do País.
A perspectiva positiva aberta pelo ano 2000 é solidificada pela percepção de que existem, agora, condições para que o País resolva seus problemas e se encaminhe para um novo patamar de crescimento. O futuro porém está aí para ser escrito. Depende de cada um e de todos a concretização da esperança em relação a este e aos próximos anos. O que é importante é repetir que o Brasil não pode mais perder tempo ou se frustrar outra vez. Este ainda chamado país do futuro precisa se tornar a realidade do presente, tornando concreto todo o seu potencial. Esta é a grande dívida que o Brasil tem em relação a seus filhos.
Importa que o mesmo espírito que anima as pessoas no começo do ano se faça presente ao longo de todo este ano 2000 que, embora não seja o primeiro do novo milênio, pode ser aquele que marca o início da verdadeira redenção do povo brasileiro, agente e paciente de todo este processo de desenvolvimento. Todas as circunstâncias apontam para uma efetiva concretização das melhores esperanças da população. Resta que tudo o que está posto seja bem usado para que se possa ter de fato um Feliz ano 2000.





