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Londrina

Opinião

m de leitura Atualizado em 25/03/2022, 09:03

EDITORIAL - Tiros no shopping

A presença de cancelas, câmeras e de vigilantes não significa que esses locais são livres de ocorrências de crimes com armas de fogo

PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de março de 2022

Adriana de Cunto - Diretora de Redação
AUTOR autor do artigo

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Disparos de tiros em locais públicos ou com grande concentração de pessoas, felizmente, não são comuns no Brasil como em países, como Estados Unidos. Mas quando acontece em alguma cidade brasileira, não é possível conter um sentimento de insegurança. 

Em 1999, um crime em um centro de compras de São Paulo chocou o Brasil naquele que ficou conhecido como o caso do "atirador do shopping". Um rapaz de 24 anos, estudante de medicina, abriu fogo contra as pessoas que assistiam ao filme "Clube da Luta”, com Brad Pitt e Edward Norton, no Morumbi Shopping. 

Na segunda metade do filme, Mateus da Costa Meira caminhou até a altura da primeira fileira, levantou uma submetralhadora e disparou primeiro contra a tela e depois na direção da plateia. Havia 28  pessoas na sala, três morreram e cinco ficaram feridas. 

Foi um dos primeiros casos do que ficou batizado de "assassinato em massa" no Brasil. Infelizmente,. outras tragédias como essa se repetiram ao longo desses 23 anos. Um dos mais recentes, o "massacre" na Escola de Suzano, em São Paulo, quando dois jovens entraram na Escola Estadual Raul Brasil, abriram fogo contra alunos, professores e funcionários, matando  oito pessoas. São tragédias que abalam o país inteiro e não apenas as pessoas afetadas pelos crimes. 

Guardadas as devidas proporções, Londrina viveu um drama semelhante na manhã desta quinta-feira (24). Logo pela manhã, pouco depois das 10 horas, funcionários e clientes do Shopping Catuaí passaram por momentos de tensão quando um homem sacou uma arma e abriu fogo contra um casal que estava comendo em uma das praças de alimentação. 

O homem foi baleado à queima roupa e morreu no local. A mulher sobreviveu e foi encaminhada, fora de risco, para a Santa Casa. Quatro disparos atingiram fatalmente o rapaz e a mulher levou um tiro que entrou pelo pescoço e saiu pelas costas. 

Clientes e trabalhadores se trancaram nas lojas e nos banheiros em meio ao corre-corre. O estabelecimento ficou completamente fechado por cerca de uma hora. Por volta das 11h30, apenas a entrada onde aconteceu o assassinato seguia bloqueada para o trabalho da perícia. 

A presença de cancelas, câmeras de segurança e de vigilantes nos shoppings nem sempre significa que esses espaços são livres de ocorrências envolvendo armas de fogo. Outros centros de compras de Londrina passaram por momentos como o desta quinta-feira (24) , conforme a FOLHA relembra na edição desta sexta-feira (25). 

A violência urbana é um fenômeno presente na vida de várias cidades, mas choca ao nos depararmos com a frieza de um  assassinato cometido à luz do dia e na frente de câmeras e testemunhas. Não podemos entender como uma coisa "normal" sair de casa e testemunhar um crime enquanto tomamos o café da manhã. Mas também não podemos nos aprisionar em casa diante do medo. Quem vive em cidades médias e grandes acaba tendo que, infelizmente, aprender a lidar com esses dilemas. 

Obrigado por ler a FOLHA!