A queda de uma torre de transmissão de Furnas no Paraná, causada pela explosão de uma bomba, aliada à confirmação da existência de outros artefatos e à ameaça de acontecimentos similares, desponta como um assunto da mais alta importância na vida do País. Quedas de torres, notadamente em nosso Estado, não chegam a ser novidade, mas sempre ligadas a questões meteorológicas. Explosões indicam algo muito mais sério, constituem claro indício de sabotagem, são sinais de manifestações terroristas que os brasileiros costumam acompanhar pelo noticiário internacional, mas que, nem mesmo nos tempos da ditadura, aconteciam no Brasil.
Sob qualquer ponto de vista mais objetivo, não há dúvidas sobre a importância de se estabelecer medidas de segurança em relação à rede que conduz a energia desde Itaipu às mais importantes regiões do Brasil. A idéia, porém, de que ‘estas coisas não acontecem’ entre nós serviu para que não se desse a devida importância ao problema. Lá estavam as torres, sujeitas, como sempre se pensou, apenas a eventuais danos produzidos por inesperadas ventanias (mesmo porque, entre outros benefícios climáticos, o Brasil não enfrenta tufões, furacões ou terremotos, tão comuns em outros quadrantes do planeta), mas absolutamente seguras em relação a qualquer outro problema. A bomba que destruiu uma, a outra encontrada, a terceira desativada e a informação sobre a possível existência de outras mudou a questão.
Se até agora a necessidade de estabelecer um sistema eficaz de vigilância em relação a toda a rede de energia, notadamente no que tange às torres que atravessam quilômetros quase desertos e sem qualquer segurança, poderia ser apenas considerada um excesso de zelo, hoje surge como uma medida vital. Não apenas as torres são vulneráveis a ações terroristas, como existem pessoas dispostas a atacá-las - e, como se vê, gente que entende muito bem de explosivos. Isto remete, fundamentalmente, e com toda urgência, a pelo menos duas séries de atitudes: a primeira, no sentido de se investigar a sabotagem ocorrida esta semana, com seriedade e presteza, a fim de localizar os responsáveis e puni-los. Ontem, o ministro das Minas e Energia, Raimundo Brito, admitiu com todas as letras tratar-se efetivamente de uma ação com conotação política. A outra iniciativa, mais genérica, visaria estabelecer medidas preventivas, cobrindo toda a área ameaçada.
Não é tarefa fácil e menos ainda barata. Todavia, é imprescindível. O Brasil, mesmo sem qualquer acidente envolvendo a rede que conduz energia, já está em situação crítica, ameaçado de blecautes com o aumento no consumo, em especial na época quente que se aproxima. Quedas de torres, como já aconteceu, podem tornar as coisas piores. Pode-se reduzir o risco em função de fenômenos naturais. Não há, porém, como evitar uma verdadeira tragédia se acontecer uma sucessão de atos terroristas. Prevenir, no caso, não é só a melhor alternativa, é sem dúvida a atitude sensata e que se espera das autoridades responsáveis. Trata-se, inclusive, de modificar conceitos, de deixar de pensar ingenuamente sobre a natureza do brasileiro, de abandonar aquela crença, ainda existente, de que ‘somos uma ilha de gente boa’.
No Brasil, como em qualquer parte do mundo, há crimes, violência, problemas sérios. Encarar a possibilidade da ocorrência de atentados reais não apenas contra torres de transmissão de energia, mas até em centrais elétricas, nas distribuidoras, em toda parte, é uma obrigação, principalmente das autoridades. Se nossa polícia não está aparelhada para isto, é importante que se cuide da questão o mais rápido e eficientemente possível. Aqui, como em tudo, prevenir continua a ser o melhor caminho.

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