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Londrina

Opinião

m de leitura Atualizado em 03/08/2022, 00:05

EDITORIAL - Tensão geopolítica volta ao radar

Não bastava o mundo precisar se reerguer da Covid-19, a humanidade precisa agora lidar com um "novo velho medo"

PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de agosto de 2022

Adriana de Cunto - Diretora de Redação
AUTOR autor do artigo

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Para quem cresceu à sombra da Guerra Fria, ouvir o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres, dizer que a humanidade está "a um erro de cálculo da aniquilação nuclear" fez renascer um medo bastante familiar.

As pessoas que nasceram a partir da década de 1990 certamente ouviram os professores de história e geografia falarem sobre o conflito político-ideológico travado entre Estados Unidos e União Soviética (e seus respectivos aliados) entre 1947 e 1991, ano em que a União Soviética acabou.

Essa tensão entre os dois países voltou após a invasão da Ucrânia pela Rússia no último 24 de fevereiro e mesmo antes de Moscou atacar o país vizinho, o presidente russo Vladimir Putin fazia ameaças veladas sobre o uso de armas atômicas contra quem atravessasse o seu caminho. 

Não bastava o mundo precisar se reerguer das dificuldades dramáticas impostas pela Covid-19 tanto no aspecto sanitário quanto econômico, a humanidade precisa agora lidar com um "novo velho medo". 

Nesta terça-feira (2) a pitada de tensão veio com a visita da presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, a Taiwan, que é reivindicada como parte do território chinês, apesar de a ilha ter sistemas político, jurídico e econômico próprios. Pequim emitiu um duro comunicado e avisou que  a viagem de Pelosi terá um impacto profundo nas relações entre China e EUA. 

Voltando à ONU, Guterres fez a declaração na abertura da décima conferência de revisão do TNP, o Tratado de Não Proliferação Nuclear, que é o mais amplo instrumento multilateral para controle de arsenais atômicos. "Tivemos uma sorte extraordinária até aqui. Mas sorte não é estratégia nem escudo para impedir que as tensões geopolíticas degenerem em um conflito nuclear", afirmou.  

Moscou e Washington detêm um arsenal nuclear semelhante, um pouco maior do lado russo, que equivale a 90% das 13 mil ogivas disponíveis no mundo. Se parece pouco ante as 70 mil do final dos anos 1980, é mais do que suficiente para acabar com a civilização. Sem falar no restante de armas distribuídas em outros países. 

Um conflito desse nível não acabaria com ganhadores ou perdedores  e todos pagariam pela "aventura". A hecatombe terminaria com um total absurdo de vidas perdidas, economia destruída e o planeta totalmente "envenenado".  Assustador como em agosto de 2022 há líderes mundiais que falam com uma certa facilidade sobre uso de armas nucleares. 

Obrigado por ler a FOLHA!