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Londrina

Opinião

m de leitura Atualizado em 23/02/2022, 00:05

Editorial - Temperatura alta

PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Folha de Londrina
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A crise no Leste Europeu por conta das ameaças e possíveis avanços de tropas russas em território da Ucrânia está com a temperatura cada vez mais alta. Nesta terça-feira (22), os presidentes da Rússia e dos Estados Unidos usaram os microfones para subir o tom contra os rivais. 

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|  Foto: Anatolii Stepanov/AFP
 

O americano Joe Biden informou que o governo russo não pode mais fazer transações financeiras envolvendo títulos de sua dívida com empresas dos EUA e da Europa. Na prática, isso significa que o acesso de Moscou às finanças ocidentais está agora cortado. No discurso feito na Casa Branca, o mandatário disse mais sanções devem ser anunciadas nos próximos dias, e que elas serão voltadas à elite da Rússia, por suas ligações com o Kremlin. 

O presidente russo, Vladimir Putin, por sua vez, disse antes que não vai enviar imediatamente tropas para as duas autoproclamadas repúblicas russas étnicas no Donbass (leste da Ucrânia), que ele reconheceu como independentes. 

A verdade é que Putin jogou água na fervura ao reconhecer a independência de Donetsk e Lugansk e anunciar o envio do que chamou de forças de "manutenção de paz" para solo ucraniano. 

 O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, condenou a decisão do presidente russo de assinar decreto reconhecendo duas regiões do leste da Ucrânia como independentes. 

Para o Ocidente, a manobra de Moscou não tem nada a ver com a manutenção da paz. Tanto que gerou ainda outras reações importantes, como a decisão do primeiro-ministro da Alemanha, Olaf Scholz, que congelou nesta terça-feira (22) a certificação do gasoduto Nord Stream 2, que liga a Rússia ao país europeu e está pronto, mas sem poder operar devido à crise na Ucrânia. 

O Nord Stream 2 é o segundo ramal de um megaprojeto iniciado nos anos 2000 e duplica a capacidade de transporte de gás natural pelo mar Báltico, possibilitando à Rússia desviar o fornecimento que hoje é majoritariamente feito por meio da Ucrânia e da turbulenta aliada Belarus. 

 Atualmente, e pelo menos até o fim de 2024, Moscou paga cerca de US$ 1,5 bilhão (R$ 7,8 bi) por ano a Kiev pelo trânsito do gás em seu território, e a entrada em operação do novo gasoduto atingiria a rival Ucrânia e atrapalharia interesses dos Estados Unidos 

Na contramão da maioria do Ocidente, o governo brasileiro tem sido reticente ao condenar a Rússia pela crise na Ucrânia. Após a visita do presidente Jair Bolsonaro (PL) ser criticada, inclusive pelos Estados Unidos, por conta do “timing” em que foi feita, na semana passada, Brasília adotou uma linha mais neutra. 

O Itamaraty apelou para que a negociação entre os países seja pacífica. Por meio de nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que, diante da situação criada em torno do status das autoproclamadas entidades estatais do Donetsk e do Luhansk, o Brasil "apela a todas as partes envolvidas para que evitem uma escalada de violência e que estabeleçam, no mais breve prazo, canais de diálogo".  

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