Com US$ 1 bilhão Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento e US$ 250 milhões da União, o Governo brasileiro inicia em janeiro a mais importante de todas as obras do atual mandato. Trata-se da restauração de 9 mil quilômetros de rodovias federais que se encontram no mais completo abandono, grande parte em situação verdadeiramente calamitosa. As obras de recuperação, que fazem parte do projeto ‘Brasil em Ação’, serão feitas inicialmente nos estados do Paraná, Rio Grando do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Bahia e Ceará.
Governos, de modo geral, não gostam de investir em obras de recuperação de estradas, assim como também não apreciam muito aplicar em saneamento básico. No segundo caso, porque ‘cano enterrado, ninguém vê’. Já no que se refere a rodovias, recuperação não adiciona quilômetros nos balanços sobre ‘realizações’ governamentais. Entretanto, estradas em bom estado e saneamento básico - água encanada, esgoto e tratamento - são fatores essenciais para a economia do país e para a vida e saúde da população.
No que se refere às rodovias, recuperar estradas é uma necessidade urgente desde a década passada, quando a hiperinflação e o descalabro econômico-financeiro instalaram o caos no sistema viário nacional. Não teria tão dramático se o País tivesse um sistema ferroviário medianamente mais desenvolvido. Mas a dependência em relação ao asfalto é total: 67% do transporte de carga é feito de caminhão e 96% do total de passageiros do País viaja de ônibus. E isto é feito por estradas que nem mais asfalto têm e são o palco de 25 mil mortes por ano, boa parte porque a imprudência tem um aliado mortal nas precárias condições das rodovias - que além de mortes, causam prejuízos materiais de grande monta ao País.
Os números são absurdos. Por causa da situação das estradas, conforme cálculos da Confederação Nacional de Transportes, os danos causados aos veículos devem somar R$ 13 bilhões este ano; em cargas destruídas, as perdas somarão R$ 11 bilhões. A soma dos prejuízos é maior do que a economia que o Governo vai fazer nas contas nacionais com o ‘pacote de novembro’. O Brasil é um dos países mais desastrados do mundo, jogando fora em um ano metade do que a Coréia do Sul, por exemplo, precisa para reeguer sua economia.
Este dinheiro, se não fosse perdido dessa maneira, estaria movimentando a economia e ajudando o Brasil a vencer a parte que lhe cabe na crise global. Em vez disso, preferimos consertar caminhão e atribuir ao destino a morte brutal de 175 mil pessoas nesta década.
A reconstrução das estradas federais vem com atraso, mas pelo menos vem. No Paraná, através da privatização, já começaram e com certeza vamos ter férias mais felizes, menos fatais. A privatização é a saída para as estradas estaduais, mesmo nos poucos estados que ainda têm algum dinheiro para sustentá-las. E a própria União deveria estar fazendo o mesmo com todas as suas, não somente com algumas. Assim, em vez de tapar buracos, estaria promovendo soluções definitivas.

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