Faltando apenas a definição do PTB - que, entretanto, deve apoiar um dos candidatos já lançados - está praticamente formado o quadro dos postulantes à presidência da República, em outubro. Até agora há 13 pessoas indicadas oficialmente, por partidos políticos, para a disputa. Na verdade, e por mais que se considere que os resultados das urnas são imprevisíveis, dos 13 postulantes é possível considerar de fato dois: o presidente Fernando Henrique Cardoso, com o apoio de vários partidos (PSDB/PFL/PPB/PSD/PSL), sendo possível que entre nesta relação também o PTB, e o sr. Luiz Inácio Lula da Silva, encabeçando uma heterodoxa coligação oposicionista, com a participação do sr. Leonel Brizola, totalizando seis legendas (PT/PDT/PSB/PC do B/PCB/PCO). Dentre os outros 11 candidatos, é necessário considerar, ainda, o peso do ex-ministro Ciro Gomes (PPS/PL/PV/PGT, havendo a possibilidade também aí de inclusão do PTB) e o ex-presidente Fernando Collor, que vai depender, porém, de decisão judicial para poder concorrer.
É um quadro que oferece até a perspectiva de solução no primeiro turno, segundo as mais recentes pesquisas de intenção de voto, devido principalmente ao fato de que dificilmente o pleito deixará de ser polarizado entre o atual presidente e a chapa Lula-Brizola. Se o PMDB tivesse conseguido resolver suas próprias divergências, lançado candidato próprio, a possibilidade de uma divisão maior, que poderia levar a decisão ao segundo turno, ainda existiria. Na verdade, ao não lançar candidato e não concordar em apoiar o atual presidente, o PMDB comete um quase suicídio político na medida em que se coloca fora da principal disputa eleitoral deste ano. Do ponto de vista da história política brasileira, é uma posição lamentável. Em relação ao pleito de outubro, pode ter sido a decisão que o tornará um simples conflito entre o governo atual e os que de modo claro e bem franco se posicionam contra ele.
No final, quase um referendo ou plebiscito: os que concordam com o atual governo, com suas diretrizes, com o que vem sendo feito há quatro anos, votam em FHC; os que são contra, votam em Lula. Embora a análise possa parecer extremada, o que ressalta é que mesmo se os outros 11 candidatos conseguirem votos suficientes para evitar que as eleições se resolvam no primeiro turno, restarão na lista, para o turno final, estes dois. E esta situação, em certo sentido, acaba por produzir exatamente este resultado, um tipo de referendo em que o eleitor terá de dizer se quer que continue a atual direção política e econômica do país ou se quer que ela seja modificada.
Naturalmente, os fatos podem se modificar em função da campanha que sequer iniciou e que, seguramente, só começará a inflamar o eleitorado a partir da segunda quinzena de julho. Até lá, principalmente se o selecionado brasileiro continuar na disputa, as atenções maiores estarão na França. Depois, sem dúvida, mesmo antes do início da propaganda eleitoral gratuita, é que será possível sentir o clima de campanha. Entretanto, ainda assim, a impressão é que dificilmente o quadro poderá se alterar. Os muitos candidatos que surgiram refletem a grande facilidade que existe para a formação de partidos políticos, mas não parecem evidenciar a possibilidade de surgir um tipo de surpresa capaz de alterar os dados da equação. O que se tem, em verdade, é o quadro posto para que o eleitor, o detentor do poder na democracia, faça sua opção. Esta situação, porém, pode tornar a disputa muito mais complicada, levando a campanha até à radicalização. Outra vez, dependerá do eleitor a postura não só de escolha mas de moderador diante da situação.

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