O ministro da Agricultura e do Abastecimento, Francisco Turra, defende mudanças na legislação trabalhista para tentar evitar o êxodo rural no País. Objetivamente, informou que pretende trabalhar junto com o novo ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, e também com a bancada ruralista para sensibilizar o Congresso a alterar a legislação para a área rural. Para Turra, a Consolidação das Leis do Trabalho tem de mudar e a parceria deve entrar definitivamente nas relações de trabalho no campo. Em seu entendimento, a legislação atual afasta ao invés de atrair, pois é cara e perigosa, fazendo com que muitos proprietários que poderiam abrir espaço para outros fujam dessa possibilidade com receio, muito fundamentado, de problemas trabalhistas no futuro. O ministro citou exemplos de fazendas que já possuem organização gerencial sem vínculo empregatício, como o Vale da Juliana, na Bahia, onde os empregados também são donos do negócio e recebem 40% do lucro líquido do empreendimento, assinalando que este é seu sonho do novo mundo rural.
Há quem considere que os mais sérios problemas do campo, no Brasil, surgiram precisamente com mudanças na legislação trabalhista, mais especificamente com a adoção para a atividade rural de normas aplicadas em relação ao trabalho urbano. Pode não ter sido a única causa, mas sem dúvida foi então que começou o esvaziamento progressivo do campo, surgindo também os bóias-frias, trabalhadores rurais que passaram a inchar as periferias das cidades, expulsos da terra exatamente pelo temor, citado pelo ministro, dos proprietários rurais em relação à nova situação que gerou, inclusive, uma verdadeira indústria de ações trabalhistas.
Quando se afirma que o Brasil é, dos países não desenvolvidos, talvez o único que tenha condições de atingir uma situação de verdadeira potência, tomam-se como base os fatores fundamentais para isto: extensão territorial e população. O Brasil tem ambos. O que tem tornado quase impossível a transformação é um fato simples: os 160 milhões de brasileiros são, em boa parte, apenas habitantes. E deveriam ser consumidores. Este o grande sonho: transformar em consumidora esta população. Isto, no entanto, só será possível se, antes, este potencial humano se tornar produtor. Quer dizer, é preciso que haja trabalho para os brasileiros (ao menos para a faixa em idade produtiva). O desafio que está lançado há décadas - para não ir muito longe - ainda não foi devidamente equacionado.
O campo tem condições de oferecer uma excepcional parcela para encaminhar a questão. O ministro Francisco Turra demonstra sensibilidade quando diz que o agora chamado agronegócio tem possibilidade de gerar emprego, renda e também oferecer alimentação a uma população excluída. Para isso, sem dúvida, é fundamental, entende o ministro, uma integração maior do governo. Trata-se de uma ação ampla que, inclusive, reclama a participação legislativa, uma vez que faz parte do processo a mudança nas leis para que se crie uma nova situação em relação ao trabalho rural. A partir daí, o caminho é simples. O campo oferece opções maiores não só de trabalho mas de conforto, desde que haja esforço concreto no sentido de garantir a quem vive e trabalha ali condições adequadas. Não é tarefa difícil, com a tecnologia atualmente disponível. E na medida mesmo em que se ampliar a oferta para a mão-de-obra no campo, começará a transformação que dará a base de sustentação ao Brasil-potência, capaz de alimentar e nutrir seus 160 milhões de habitantes, passo inicial para transformar em realidade o sonho do país do futuro.

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