Editorial - Solução para as megalópoles
A Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável das Cidades, conhecida como Urban 21, promovida pela ONU e realizada na Alemanha, retoma um dos mais importantes temas em debate sobre a vida na Terra: o crescimento das grandes cidades, uma realidade assustadora. Segundo prognóstico feito na Urban 21, a população urbana do mundo passará de 2,4 bilhões, hoje, para 5 bilhões dentro de apenas 25 anos. Este é, conforme os especialistas, o desafio tanto para o Norte industrializado como para o Sul, em desenvolvimento. Até o ano 2025, o mundo terá 27 cidades com mais de 10 milhões de habitantes, sendo que 18 delas localizadas na Ásia.
As cidades do futuro dão medo e são objeto de reflexão de arquitetos e urbanistas, que se questionam como humanizá-las. O problema se apresenta especialmente com as megálopoles, gigantescos núcleos urbanos, que, segundo o urbanista François Ascher, formam zonas descontínuas, de limites imprecisos, heterogêneos, que criam fragmentações espaciais e sociais. Bruno Fortier, arquiteto e especialista em história da arquitetura, considera que nos encontramos em uma encruzilhada tanto mais importante quando se assiste a um violento debate entre os arquitetos que defendem o mínimo de intervenção e os que acham que a cidade deve ser pensada e não se converter em seu próprio ator.
O mais grave é perceber um certo fatalismo nas previsões, juntamente com a ocorrência de debates que não focam o principal problema que é o da garantia de uma vida digna para o ser humano neste Planeta. Antecipar que dentro de 25 anos haverá uma realidade ainda pior que a atual, com cidades superpovoadas e, por consequência, com problemas muito maiores que os atuais, até porque este crescimento populacional é acompanhado de um aumento na miséria e nas desigualdades, o que propicia uma elevação nos níveis de violência, não é difícil.
O que se reclama, porém, é que os especialistas ofereçam alternativas para a questão. Quer dizer, este tipo de conferência não deve ser apenas a oportunidade para a apresentação de projeções assustadoras, mas precisa servir como ocasião de estudos capazes de alterar este perspectiva.
No Brasil, inclusive no Paraná, já houve esforços reais visando alterar este quadro. Infelizmente, as medidas concretas não tiveram sequência. Ao contrário, com as políticas de desestímulo ao campo, o que se conseguiu foi provocar o contínuo êxodo para as grandes cidades, formando-se ali bolsões de miséria que representam hoje o maior desafio das administrações e de quantos se preocupam com a melhoria na qualidade de vida dos cidadãos. Aceitar passivamente que dentro de um quarto de século esta situação ainda vai piorar não corresponde sequer ao espírito humano. Há que se perceber que existe tempo, exatamente o prazo da projeção dantesca, para fazer muita coisa visando alterar esta perspectiva.
É preciso, em princípio, estimular a agricultura, através de políticas sérias e realistas que percebam que está ali a base para que o Brasil resolva todos os seus problemas, inclusive este que surge agora do aumento incontrolável da população nas maiores cidades. Paralelamente ao incentivo ao campo, há que oferecer condições adequadas de vida nas cidades médias e pequenas, o que já foi alvo de numerosos programas de governo no Estado do Paraná. Trata-se de estimular a fixação do homem no interior, o que é possível na medida em que se garantam condições dignas de vida, o que inclui emprego, educação, saúde, segurança, lazer. É mais barato e mais seguro garantir situações adequadas em centros médios e pequenos do que tentar resolver os cada vez mais complexos problemas das megalópoles.





