Os eleitores de doze Estados e do Distrito Federal voltam amanhã às urnas para realizar a escolha final dos seus respectivos governadores. Nesses Estados nenhum dos candidatos conseguiu a maioria absoluta necessária para garantir a eleição a 4 de outubro, como aconteceu nos demais, inclusive no Paraná. É uma nova eleição, com alianças as mais complicadas, muito diferente da que ocorreu há três semanas. Tão diversa que os candidatos que ficaram na frente no primeiro turno, como o sr. Paulo Maluf, em São Paulo, que teve sua situação rapidamente definida como mais votado, não têm nada garantido. Podem, sem dúvida, ganhar agora, conquistando o governo, mas uma eventual derrota não seria surpresa. A validade da eleição está exatamente no fato de que qualquer um dos dois, mesmo quem chegou em segundo quase no final, com pequena vantagem sobre o terceiro (caso de Mário Covas, também em São Paulo), tem a condição de ser escolhido. Não se pode esquecer ainda que, sem o segundo turno, estes Estados em que será realizado o pleito amanhã poderiam ter governadores eleitos com apenas 30% dos votos. Com a agravante de que a soma dos votos dos outros candidatos corria o risco de atingir um percentual superior. Quer dizer, o eleito não seria, realmente, o preferido da maioria.
Em realidade, o segundo turno para as eleições de chefia de Executivo surgiu precisamente em função disto: garantir que o candidato eleito tenha, pelo menos, a maioria dos votos válidos. Antes que esta tese prevalecesse, houve muitas discussões e, no período que foi de 46 a 64, até argumentos golpistas para invalidar pleitos em que o candidato mais votado ficou além dos 50% dos votos válidos. A verdade é que não há como discutir os pleitos anteriores que eram regulamentados de modo diferente. Com a criação do segundo turno, pelo menos existe agora esta nova situação: o eleito precisa obter a maioria dos votos válidos e, assim, em tese, tem uma representação
Em função disto é que mais da metade dos eleitores brasileiros volta às urnas amanhã. E como entre os 12 Estados que terão eleições (além do Distrito Federal, importante também por sua situação geográfica) estão os mais fortes, econômica e politicamente, entre eles São Paulo, Rio, Minas e Rio Grande do Sul, é certo que só depois do resultado é que se poderá ter definido o novo perfil político que emerge das urnas de outubro. Sem dúvida, já se tem a nova Câmara Federal, assim como a formação plena do Senado, com o terço escolhido dia 4, como também já estão eleitos os governadores dos demais Estados. Mas a definição dos principais redutos políticos do país representa um fator fundamental no novo desenho da realidade nacional.
Também por isto, segundo muitos observadores, o presidente Fernando Henrique Cardoso acabou ‘empurrando com a barriga’ o tão esperado (e temido) ajuste fiscal. Não apenas pelo eventual temor de que medidas impopulares poderiam prejudicar os candidatos mais chegados ao presidente - o que também é ponderável -, mas até pela necessidade eventual de se poder ter, com a definição dos governadores, uma visão melhor e mais plena da vontade política do eleitorado brasileiro. Desconhecer o peso político de governadores dos maiores Estados do País pode ser perigoso para qualquer presidente.
A verdade é que apenas agora, com a definição final dos novos governadores, se pode considerar encerrada a fase eleitoral brasileira. Felizmente, o segundo turno este ano foi antecipado (antes era em 15 de novembro). Espera-se que, finalmente, o governo brasileiro comece a trabalhar.

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