No segundo ano de Carnaval com o novo Código de Trânsito Brasileiro, o número de mortos, feridos e de acidentes de trânsito registrados nas rodovias federais de todo o País aumentou. Relatório do Departamento da Polícia Rodoviária Federal, em Brasília, revela que a violência nas rodovias se aproximou dos índices registrados em 97, um ano antes da implantação da atual legislação. O total de acidentes cresceu 5,8% na comparação com o ano passado. O total de mortos subiu 12,5%. Foram 135 vítimas fatais no Carnaval, só nas estradas federais.
Uma análise inicial considera que três fatores determinaram esta situação: a perda de eficiência da nova legislação, o aumento natural da frota nacional e a queda do número de policiais nas rodovias, o que prejudica a fiscalização. É um estudo preliminar que precisa ser aprofundado com a maior urgência. O Brasil não pode se dar ao luxo de continuar a perder vidas em tais circunstâncias, como vem ocorrendo. O atual Código de Trânsito, quando entrou em vigor há pouco mais de um ano, representou a esperança de uma mudança não apenas momentânea, mas real, profunda e duradoura na situação que era, já então, inaceitável. No começo, até que as coisas pareceram funcionar. O primeiro Carnaval sob a nova legislação, o do ano passado, registrou queda no total de acidentes e de vítimas fatais. A situação, porém, não persistiu. Já nos últimos meses observa-se um aumento no número de acidentes, tanto nas rodovias quanto na malha urbana. O resultado final que se observou neste Carnaval parece ser apenas a consequência natural desta mudança para pior que já vinha sendo percebida.
A conclusão inevitável diante do atual quadro é simples e reforça uma teoria há muito difundida: leis, por melhores que sejam, por mais perfeitas, não resolvem os problemas. Na verdade, o Brasil tem legislação excepcional em vários campos. Infelizmente, isto não tem sido suficiente. E uma das observações iniciais feitas sobre o assunto, na análise deste aumento no total de acidentes no Carnaval, é bem indicativa. Quando se observa que houve uma queda no número de policiais rodoviários nas estradas, tem-se sem dúvida uma questão da maior relevância. A boa aplicação das leis depende principalmente da educação do povo e de uma eficiente ação repressiva. A maioria dos motoristas que abusa da velocidade, nas estradas como nas cidades, assim como os que ultrapassam em pontos não permitidos e os que fazem tudo o que é vedado pela lei, age assim na expectativa de que não será flagrado. Infelizmente, o motorista tem menos medo do acidente que pode vitimá-lo do que do guarda que talvez venha a multá-lo. Este tipo de reação faz parte da natureza humana.
O que é necessário, então, é que ao lado da lei dura e complexa que temos, da educação que constitui fator sem dúvida importante, haja policiamento pleno e adequado para garantir o objetivo principal do Código, que não é o de multar, mas de evitar as tragédias que têm enlutado dezenas de milhares de famílias brasileiras a cada ano. Assim como a população dos Estados tem o direito de exigir que os governos garantam a segurança pública, também o povo tem que reclamar da autoridade federal que olhe com mais seriedade suas obrigações para garantir o tráfego nas estradas. A redução do número de policiais e a falta de equipamentos adequados para oferecer segurança aos que trafegam pelas rodovias constitui omissão inaceitável. E, no caso, também é justo insistir em que não valem desculpas sobre falta de recursos ou verbas. A obrigação de garantir segurança ao povo, sob quaisquer circunstâncias, é do poder público que, sem dúvida, é dos maiores responsáveis pelo banho de sangue registrado em nossas estradas no último Carnaval.

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