A balança comercial brasileira registrou um déficit de US$ 213 milhões na terceira semana de setembro. As importações chegaram a US$ 1,340 bilhão, com média diária de US$ 268 milhões, enquanto que as exportações somaram US$ 1,127 bilhão, com média diária de US$ 225,4 milhões. Com este resultado, a balança comercial acumula um déficit de US$ 280 milhões, em setembro, decorridos 13 dias úteis. Foram US$ 3,319 bilhões de importações e US$ 3,039 bilhões de exportações. No ano, até a terceira semana de setembro, a balança acumula déficit de US$ 3,308 bilhões.
Os números não surpreendem. A tendência deficitária da balança comercial brasileira continua sem muitas alterações. Entretanto, diante do quadro mundial e levando em conta as contínuas perdas de divisas, principalmente devido à especulação que está marcando os tempos atuais, é certo que esta situação preocupa. Para o Brasil, uma alternativa concreta para manter as divisas seria a reversão deste quadro, com uma balança superavitária. Isto, porém, é mais fácil de dizer do que de fazer.
Há dois modos para mudar esta situação: reduzir as importações ou aumentar as exportações. E, sem dúvida, a primeira solução parece ser a mais fácil e simples. Todavia, não é a melhor, no modo de ver de ponderável parcela dos especialistas. O ex-ministro Delfim Netto, por exemplo, que foi um dos responsáveis pela política adotada durante o período totalitário, de estímulo às exportações como forma de criar condições de desenvolvimento, recomendou na manhã de ontem que o Brasil corrija o desequilíbrio na balança comercial aumentando as exportações e não contendo as importações. A afirmativa foi feita durante palestra para executivos da área financeira na Associação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimentos.
A posição do sr. Delfim Netto é importante, até pela sua experiência anterior. De fato, foi ele um dos principais artífices do programa que se realizou durante o período militar, época em que o Brasil aumentou sensivelmente sua participação no mercado internacional. É certo que a ocorrência posterior de sérios entraves, notadamente o desmedido aumento nos preços do petróleo, acabou criando uma situação muito complicada, com o crescimento quase forçado das importações. Mesmo assim, como se recorda, o Brasil continuou dando ênfase às exportações e mantendo severas restrições às importações.
Com a abertura comercial, ocorrida no começo dos anos 90 e mais diretamente relacionada ao plano de estabilização, houve uma mudança na relação importação-exportação. A balança, que era superavitária até então, passou a registrar déficits, o que acontece até agora. E é certo que a necessidade do País em manter divisas, inclusive porque são elas o lastro do real, leva à necessidade de um esforço maior para reverter este quadro. Entretanto, como assinala com propriedade o citado ex-ministro, não é ideal o caminho de restrições às importações, neste momento. Nem seria aceitável pela comunidade internacional, conforme deixam claro os responsáveis pela Organização Mundial do Comércio, altamente preocupada com uma possível tendência protecionista dos países mais pobres diante dos problemas econômicos atuais.
A solução é exatamente a apontada pelo sr. Delfim Netto: aumentar as exportações. E isto reclama estímulos à produção, com uma política tributária que privilegie o chamado investimento produtivo. Para vender mais é preciso produzir mais. É a hora de retomar o processo de crescimento da economia, com o que se criarão condições para resolver os mais sérios problemas internos, a falta de empregos e a miséria que ainda ronda ponderável parcela da população brasileira.

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