É estreito o limite que separa a liberdade da licenciosidade, sendo difícil às vezes identificar onde acaba o direito e começa a desordem. A verdade é que protestos e agitação social nunca acontecem se não existirem razões ou clima propícios para tal. Falamos do protesto que ocorreu em Londrina, domingo, contra a secretária de Educação, Alcyone Saliba, durante sua presença na cidade para encerrar um seminário de pais de alunos e diretores de escolas.
Integrantes da APP-Sindicato (entidade que congrega professores), com tarjas pretas cobrindo a boca, invadiram o local para protestar contra as novas regras, determinadas pela secretária no final de junho, para a eleição dos diretores de escolas. Avisada antecipadamente do tumulto, Alcyone - que já havia chegado à cidade - preferiu não comparecer, para evitar confrontos.
O princípio elementar do trato social recomenda que se receba com urbanidade qualquer pessoa, como deve ocorrer também com um representante do governo, ademais se vem tratar de questão de interesse público. Ou os governantes, que já não têm muita vontade de enfrentar discussões com a comunidade, se afastam ainda mais, o diálogo torna-se difícil e os problemas a discutir ficam mal resolvidos.
De sua parte, a APP-Sindicato tem direito à livre manifestação, embora não lhe caiba razão em invadir uma sala onde professores e pais de alunos estão reunidos, preferindo o desafio do confronto ao invés do diálogo, que é o mais democrático e civilizado comportamento. De bocas fechadas pelas mordaças que eles próprios se impuseram, os integrantes da entidade mostraram todos os sinais de que não queriam mesmo dialogar.
O clima propício a que nos referimos, para a ocorrência dos protestos, é a natural disposição que as lideranças de classes e os cidadãos já têm contra o governo e que gera a conceituação popular de que as soluções são difíceis quando dependem de decisão governamental. Então, as atitudes radicais, sempre condenáveis enquanto houver possibilidade de diálogo, convertem-se, a priori, em meios de defesa contra os atos arbitrários do poder público, cometidos aparentemente de forma pacífica mas que, no mais das vezes, atingem profundamente os cidadãos.
No caso do Paraná, exemplos não faltam de imposições do governo sobre a sociedade, decisões mal pensadas, repressões pela força, negligência com o uso do dinheiro público e endividamento do Estado, o que também caracteriza violência.
Impera um clima de indignação e de descrédito dos cidadãos para com os homens públicos, e nesse ambiente o diálogo torna-se difícil e as pessoas já começam agredindo, como forma de defesa. Porque o governo não respeita os cidadãos, e estes passam, também, a não respeitar os governantes.

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