Os arautos da catástrofe, aqueles que logo em seguida à desvalorização do real começaram a anunciar o caos total no País, estão silenciosos. Sua posição não é difícil: é fácil prever tragédias, principalmente porque se elas não se concretizam não há cobranças. O grande problema é que este tipo de ‘expert’ cria dificuldades adicionais com suas previsões, torna pior uma situação já por si complicada. Seria oportuna agora a cobrança sobre posturas que não são apenas irresponsáveis, mas perigosas. Pois neste momento, as perspectivas se mostram diferentes para o País. As projeções pessimistas não se cumpriram e a economia brasileira está começando a dar sinais do reaquecimento que deve ser mais forte no segundo semestre do ano, conforme a opinião de observadores confiáveis, como o presidente do Conselho Superior de Administração do Bradesco, Lázaro de Melo Brandão. Para ele, as principais dificuldades estão sendo enfrentadas e a economia reage bem. Ela cita como exemplo a inflação, que acabou sendo contida, e o fato de o mercado internacional já enxergar o País com outros olhos, com mais credibilidade. ‘‘Isso é bom, e aos poucos a economia vai voltando à sua normalidade’’, assinala.
O executivo não concorda nem com as previsões feitas na revisão do acordo com o FMI, segundo as quais a economia brasileira teria um crescimento negativo de 4% do PIB. ‘‘Teremos um crescimento que vai reduzir esta queda, permitindo que o País sofra menos com a redução do PIB. A agricultura terá papel importante nisso, além do aumento das exportações.’’
Outros importantes agentes da economia, entre eles o respeitado empresário Antonio Ermírio de Moraes, concordam com essa observação. Antonio Ermírio, aliás, foi uma das poucas vozes que não se uniram ao coro dos catastrofistas, assinalando sempre que as condições do País não autorizam antecipar uma crise sem solução. Em realidade, nem seria preciso ser entendido em economia para perceber isto. O choque provocado pela desvalorização do real, a inesperada e verdadeiramente assustadora escalada do dólar, nos primeiros dias, foram de molde a assustar, sem dúvida. Entretanto, era perceptível que havia na situação um elemento de especulação. Ademais, embora muitos tenham se prejudicado com a situação cambial, também houve os que se beneficiaram.
A agricultura, por exemplo, apontada pelo sr. Melo Brandão como o carro-chefe da recuperação da economia. Com efeito, a desvalorização cambial restabeleceu condições de competitividade para o produto nacional, o que, por si, produz condições melhores para o campo de oferecer trabalho. Não se pode esquecer também que a valorização do dólar, tornando mais caros produtos importados, acaba servindo como elemento de estímulo para a produção interna, o que igualmente é uma forma de retomada do emprego. A preocupação excessiva com o enfoque urbano, e principalmente industrial, e também a insistência em mostrar indicadores dos grandes centros, sem levar em conta a mudança que se vem processando no País - inclusive com tendências de redução no crescimento das grandes metrópoles - também ajudam a dar credibilidade a previsões assustadoras.
É certo que será demais pretender, neste momento, uma alteração substancial nas expectativas e o estabelecimento de um clima de euforia. Na verdade, isso nem é adequado. As dificuldades persistem, mas o importante é perceber que não são insuperáveis e nem podem afundar o País. O Brasil, que se revelou maior que o abismo em que diziam que cairia, também mostra ter condições para não afundar, apesar da tormenta.

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