A segurança (ou a falta dela) desponta no Brasil de hoje como uma das maiores preocupações tanto das autoridades quanto, e principalmente, da população. Uma imensidão de alternativas tem sido proposta, com algumas idéias boas, outras razoáveis e muitas ruins, mas todas refletindo uma realidade indiscutível e que reclama, sem dúvida, ações concretas em vários campos. Até agora, porém, o que se observa é que a preocupação maior está focada na questão policial, faltando na análise de todo o problema um aprofundamento maior que possa ajudar na busca de soluções mais efetivas. Há, inclusive, uma interessante situação que surge nos Estados Unidos e que deve servir, ao menos, para reflexões. Ali, segundo pesquisas muito sérias (e nunca se pode esquecer que naquele país os levantamentos de opinião têm sempre enorme índice de acerto), a criminalidade vem baixando sistematicamente nos últimos anos. Isto acontece ao mesmo tempo em que os EUA vivem uma fase de grande crescimento econômico, com a redução acentuada nas taxas de desemprego e uma melhoria no nível de vida da população.
Não é abusivo concluir que a melhoria nas condições econômicas também se reflete sobre o índice de criminalidade. Os especialistas norte-americanos, inclusive, têm concordado em peso com esta tese, considerando que o crescimento da economia, com maiores oportunidades de emprego para a população, acaba por ser importante na queda da criminalidade. Quando se observa a situação brasileira, com uma recessão ainda não vencida, elevados índices de desemprego e uma política salarial verdadeiramente desumana (valendo lembrar que muitos levantamentos indicam que o salário no país está em queda), é lícito considerar que o crescimento da violência, gerando o aumento na insegurança, pode também estar muito ligado a este quadro econômico.
Esta observação pode levar à percepção sobre um novo modo de enfrentar a violência crescente que gera cada vez mais insegurança. Trata-se de insistir na necessidade da adoção de medidas mais objetivas visando o reaquecimento da economia, o que implica na adoção de uma política capaz de, ao menos, reduzir o nível do desemprego. Neste momento, ademais, o Brasil está em condições de realizar este tipo de mudança, sem temer eventuais repiques da inflação. A própria situação atual revela que o Brasil vive uma tendência diferente da existente há alguns anos. Isto se observa, inclusive, pelo fato de que a inflação permanece em níveis civilizados apesar das pressões em vários setores. A adoção de medidas que estimulem o investimento produtivo, a criação de empregos, a melhoria nos salários, com aquele chamado crescimento auto-sustentado, poderia modificar o panorama econômico, tendo, ao mesmo tempo, efeitos positivos sobre o quadro da segurança.
São duas vertentes que podem se completar: é preciso, sem dúvida, cuidar mais do aparelhamento da segurança, o que implica necessariamente em melhorar os quadros, oferecer condições mais adequadas para o trabalho dos policiais, dar estrutura e vencimentos condizentes. Ao mesmo tempo, a preocupação com medidas capazes de modificar o atual quadro econômico, gerando empregos, implicaria em uma efetiva mudança do perfil social, com efeitos igualmente valiosos no que tange à melhoria na segurança pública. Não se trata, é importante observar, de considerar que o desempregado possa se tornar um marginal. De modo geral não é o que acontece. Mas a realidade é que a situação de impotência diante da crise econômica se reflete sobre a sociedade, gerando por si mais violência e insegurança.

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