EDITORIAL - Racismo no Brasil
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2020
Folha de Londrina 
O ano de 2020 mostrou ao Brasil mais do que o drama da pandemia do novo coronavírus. As mazelas do racismo estrutural ficaram expostas de maneira inquestionável a uma sociedade que não se enxerga segregacionista.
Nesse ano que acaba, as vozes antirracismo voltaram a ecoar forte em vários cantos do mundo, como pouco se viu desde o final dos anos 1960. Uma onda de protestos começou nos Estados Unidos depois que um homem negro, George Floyd, foi morto sufocado por um policial branco na cidade de Minneapolis.
A onda ganhou força com o movimento Black Lives Matter e ecoou em muitos países, inclusive no Brasil. Principalmente quando um brasileiro negro do Rio Grande do Sul foi morto em condições semelhantes a Floyd. Na véspera do Dia da Consciência Negra, 19 de novembro, João Alberto Silveira Freitas, 40 anos,foi espancado até a morte por dois homens brancos em uma loja do Carrefour, em Porto Alegre.
O caso de Freitas ganhou forte repercussão nas redes sociais devido ao vídeo em que ele aparece sendo brutalmente espancado no acesso ao estacionamento do supermercado. Mas esse não é um caso isolado de violência contra negros no Brasil.
O Atlas da Violência 2020, divulgado em agosto deste ano, mostrou que os casos de homicídio de pessoas negras (pretas e pardas) aumentaram 11,5% em uma década. Enquanto entre 2008 e 2018, período avaliado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a taxa de assassinatos de brancos, amarelos e indígenas teve queda de 12,9%.
Em 2020, o brasileiro teve chance de discutir o racismo estrutural, fazer uma autoanálise e reconhecer que o país é racista tanto quanto outros, como os Estados Unidos, onde o movimento Black Lives Matter começou. Não se trata de fazer uma comparação quantificável, mas de perceber os conceitos enraizados em nossas sociedades.
Pesquisadores da desigualdade racial acreditam que a maneira mais eficaz de diminuir o preconceito é justamente assumir que somos racistas, ou como sociedade, ou como indivíduos. É com essa consciência que homens e mulheres saberão agir contra o preconceito.
Há racismo lá fora e também aqui dentro. Que em 2021 não sejamos surpreendidos com vídeos como os das agressões que mataram Freitas e Floyd. Mas que o preconceito de raça continue a ser discutido e a bandeira antirracismo se mantenha com voz e força.
Obrigado por ler a FOLHA!


