O mais recente relatório da ONU sobre a economia mundial indica a expectativa de um crescimento de 3,5% este ano, superior ao observado em 1999, que atingiu 2,7%, o que consolida um processo de recuperação a partir da recessão de 1997 e 1998. O documento assinala que o processo de recuperação da economia global, que se iniciou em 1999, vai se firmar e se aprofundará em um futuro próximo. Ian Kinniburgh, diretor de Análises Políticas do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais dos Estados Unidos, acrescenta que se espera que a nova economia (tecnológica) agregue cerca de US$ 100 bilhões por ano à produção total. O documento, intitulado ‘A Economia Mundial em 2000’, também revela que o crescimento dos Estados Unidos nos últimos anos demonstra que os rápidos avanços em matéria de tecnologia da informação ajudarão a consolidar o crescimento econômico nos países que souberem tirar vantagem nessa área. A economia da América Latina, América do Norte, do Sul e do Leste da Ásia e da Europa continuará numa linha ascendente, conforme o relatório.
Alguns dados deste estudo são praticamente confirmados por um trabalho do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA), da Espanha, apresentado semana passada em Madri e que projeta para a América Latina um crescimento este ano de 3,9%, bem abaixo ainda do seu potencial. Este resultado será obtido graças ao bom comportamento das matérias-primas e ao fluxo de capital estrangeiro na região. A América Latina cresceu 4,2% no primeiro trimestre do ano, o que representa a maior taxa de desenvolvimento registrada desde o primeiro trimestre de 1999. O mesmo documento considera que a região adotou o caminho do crescimento sustentável, que em 2001 chegará a 4,3% anual, impulsionado pelo bom desempenho das matérias-primas, principalmente do petróleo, as quais aumentaram 40% no último ano. Isso permitirá maior crescimento com menor déficit na conta corrente, que alcançará este ano 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB), em relação aos 2,9% registrados no ano passado na região.
O crescimento também será favorecido pelo bom desempenho do mercado de renda fixa e do câmbio, que amorteceram o impacto da queda do Nasdaq americano nos mercados de ações latino-americanos. Segundo o diretor de estudos do BBVA, Miguel Sebastián, o aumento da volatilidade do Nasdaq provocou nos investidores um movimento de venda de outros ativos com perfil de risco elevado, como as ações latino-americanas, ainda que a renda fixa tenha se mantido praticamente invariável. Entretanto, apesar do susto provocado pela queda do Nasdaq, considera-se que a desaceleração da economia americana não é o cenário mais provável, devido à ampla margem de manobra das políticas monetária e fiscal.
O mais importante aspecto a destacar em tais estudos é o fato de que as projeções vêm confirmando uma expectativa já observada no final do ano passado, com referenciais otimistas para este 2000. Passado meio ano, com a persistência dos indicadores positivos, as projeções são mais alentadoras. Estes dados, porém, não encontram eco junto aos marginalizados, notadamente nos países mais pobres. Todavia, a preocupação manifestada por organismos e entidades internacionais em relação à necessidade de se levar os benefícios deste crescimento às populações carentes, juntamente com a anunciada intenção de se lutar para melhorar a distribuição das rendas, adiciona um fator de esperança às populações mais necessitadas ainda no decorrer deste ano.

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