Ao mesmo tempo em que se percebe no Brasil esforço efetivo para dar à educação o espaço que esta reclama e exige em um País voltado para o seu futuro, principalmente em função da campanha lançada pela Rede Globo com vistas ao quinto centenário da Descoberta, persiste a greve nas universidades federais, convocada na defesa de melhoria para as condições de ensino nestas instituições. É um paradoxo, que aliás nem chega a surpreender neste Brasil cheio de contrastes e de absurdos, mas que se torna ainda mais gritante porque não há como discutir a importância da educação e a necessidade de se investir concreta e eficazmente no setor, em todos os níveis, não só com vistas aos 500 anos, mas pensando no agora, que é a base do futuro.
É indiscutível que a educação no Brasil evoluiu em alguns sentidos, nos últimos anos. Há 40 anos, o total de estudantes universitários no País era inferior a 150 mil. Houve evidente crescimento, uma oferta maior para um número crescente de estudantes. O quadro de algumas décadas, quando quem queria seguir os estudos precisava se deslocar para os poucos grandes centros que contavam com o benefício do curso superior, mudou radicalmente. Hoje há mais vagas, maiores opções, escolas do terceiro grau funcionam inclusive em cidades de meio porte. Paralelamente, porém, houve decréscimo na qualidade do ensino fundamental e médio. E ao lado disto tudo, é possível perceber uma falta de planejamento e de visão no sentido de propiciar aos brasileiros, em todos os níveis, alternativas melhores para uma educação que abra de fato as portas com vistas ao crescimento individual.
Adicionalmente, tem faltado trabalho efetivo de valorização do principal elemento ligado à educação, o professor. Piadas de humor negro, comparando o salário dos mestres - notadamente os de primeiro grau - com os de trabalhadores sem qualquer qualificação, apenas destacam uma realidade que precisa ser enfrentada. Pois se o Brasil quer dar à educação a dimensão devida, precisa também, antes de mais nada, cuidar basicamente daqueles que são o fundamento do processo: os professores. Tornar possível a existência de mais escolas de nível superior, como atualmente, é válido. Mobilizar a coletividade para acabar com um dos maiores dramas da nacionalidade, a falta de vagas para as crianças, é correto, repensar os currículos, dimensioná-los de modo melhor, criar novas oportunidades para o ensino, tudo isto é necessário. Mas sem a efetiva valorização do professor, desde o que ensina no chamado Jardim da Infância, até o do curso superior, todo o esforço falha.
Esta situação real das universidades federais em greve pode ser um bom ponto de partida, até como demonstrativo de que o Governo está de fato preocupado com a educação. Algumas distorções apontadas pelo governo, em relação a salários, não devem ser motivo para evitar o entendimento. Se há alguns equívocos, é inegável que na grande maioria dos casos há também muita injustiça. São conhecidas as dificuldades de recursos para solucionar de imediato todos os problemas da educação, mas o que é absolutamente exigível do Governo é que demonstre, com clareza, a disposição de produzir alternativas para encaminhar soluções.
É vital que se dê substância ao pretendido esforço no sentido de valorizar a educação em todos os níveis. E é necessário que isto comece agora, e não só pelas universidades. Para festejar dignamente os 500 anos da Descoberta, deve-se começar hoje (já com atraso) produzindo condições para resolver de vez os magnos problemas da educação brasileira.

mockup