A Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), entidade intergovernamental encarregada de avaliar as economias dos países membros e propor políticas econômicas e sociais, destaca em seu mais recente relatário, na análise da situação brasileira, que em 2000 o País terá um crescimento acima de 3%, assinalando que a melhora do emprego, o aumento das rendas reais e uma certa flexibilização das condições financeiras vão estimular o consumo privado no segundo semestre do ano. No relatório divulgado durante recente reunião do organismo, em Paris, a indicação é a de que existem condições efetivas para que o crescimento que vem se observando possa continuar, atingindo uma elevação do PIB brasileiro na casa de 4% no próximo ano.
De modo geral, as previsões da OCDE para a América Latina são positivas. O documento emitido pela organização assinala que o crescimento latino-americano será ‘‘moderado’’, o que vai ocorrer em virtude do endurecimento da política orçamentária e da pressão da alta dos juros. O trabalho acrescenta que o maior risco negativo para América Latina está em uma eventual reação desfavorável dos mercados internacionais de capitais a um endurecimento financeiro nos Estados Unidos, ao mesmo tempo que se enfraquece a atividade econômica. A OCDE assinala que a recuperação iniciada no final de 1999 na região está se acelerando, evidenciando que só na Argentina, onde a situação continua sendo frágil, e no Equador, onde a crise financeira não foi resolvida, as perspectivas são desanimadoras, ao tempo em que a maioria dos países latino-americanos conhece um período de importante desenvolvimento.
Em seu relatório semestral, a OCDE revisou em alta suas previsões de crescimento, levando em conta a velocidade fulgurante com que a economia mundial superou as repetidas crises que a vêm abalando desde julho de 1997. A entidade espera uma alta do PIB de 4% em 2000 e de 3,1% em 2001, nos países que fazem parte da organização. Vale rememorar que, em novembro, a organização apostava em aumentos de 2,9% e 2,6%, respectivamente. O trabalho considera auspicioso o resultado, advertindo entretanto que o fato de que as perspectivas econômicas são favoráveis em todas as grandes regiões do mundo, à exceção do Japão, comporta um certo número de riscos. Acontece que se prevê, agora, uma inflação em torno de 1,9% para este ano em toda a região, excluindo os países com maior aumento de preços. A OCDE teme, principalmente, que a alta dos mercados financeiros leve, a curto prazo, a uma subida da inflação através do que os especialistas chamam de efeito riqueza.
Esta é uma preocupação real sendo que até mesmo em países que ainda enfrentam dificuldades de ajuste, como o Brasil, se percebe um crescimento na demanda interna, com reflexos muito sérios. Levantamento feito junto a empresas de exportação indica que a elevação do consumo interno, no Brasil, ameaça comprometer a própria balança comercial, de vez que mercadorias que deveriam ser exportadas estão sendo consumidas no próprio país. Todavia, este é um tipo de problema que não vai, necessariamente, pressionar os esforços nacionais no sentido de reverter os quadros recessivos. Com efeito, o aumento na demanda interna acena para a necessidade de um crescimento na produção, precisamente o caminho que se sugere, há tempos, como fundamental para que o Brasil retome a trilha do crescimento. O aporte de investimentos para o setor produtivo, o aumento na produção com a finalidade de atender a um mercado em expansão constitui fator básico para alavancar, sem inflação, o crescimento brasileiro com o que será possível até atingir resultados melhores do que os previstos neste momento pela OCDE.

mockup