Previsões alentadoras
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, continua bastante otimista, contrariando inclusive previsões menos satisfatórias sobre o futuro do país, como a do Banco Mundial, que divulgou sua projeção de avanço de apenas 2,5% para a economia brasileira no ano que vem. Em São Paulo, Fraga reafirmou sua expectativa de que o PIB brasileiro vai crescer 4% em 2000. Segundo Fraga, além do esforço interno, há um ambiente externo favorável a esta projeção. Ele lembrou que, apesar das previsões iniciais de que o Brasil teria uma recessão de até 4% neste ano, a economia deve fechar 1999 com crescimento de quase 1%, citando previsão feita na véspera pelo secretário Edward Amadeo. É oportuno lembrar que o Fundo Monetário Internacional (FMI) também previu que o Brasil terminará o ano com um crescimento ‘ligeiramente positivo’ e um déficit da conta corrente de 24,700 bilhões de dólares. Esta informação está contida no quarto informe de Política Econômica, divulgado pelo Ministério da Economia. Segundo o documento, a evolução da atividade econômica foi melhor que a esperada pelos próprios especialistas e se prevê que as expectativas de crescimento reflitam o aumento de confiança dentro e fora do país. Fraga reiterou, na oportunidade, a absoluta convicção de que o governo está no caminho para a retomada do desenvolvimento. Segundo ele, as bases macroeconômicas conquistadas pelos ajustes dos últimos anos são boas e estão permitindo que o Brasil saia de uma recessão de três anos.
Para os próximos anos, o presidente do BC disse que é possível almejar taxas de crescimento mais elevadas, em torno de 5% a 6% ao ano. De acordo com ele, o principal objetivo do BC para 2000 é o cumprimento das metas inflacionárias, assinalando que o trabalho de equilíbrio fiscal feito neste ano pelo Ministério da Fazenda representa um instrumento de suporte ao cumprimento das metas inflacionárias. De modo coincidente, o Informe do FMI assinala que no capítulo da inflação, as previsões estão dentro da meta do governo, fixada em 8% para 1999. A maior parte do aumento registrado durante o terceiro trimestre reflete os ajustes dos preços administrados pelo governo, em particular os das tarifas energéticas. De acordo com o Informe, com exceção desse impacto, a inflação registrada nos preços ao consumidor permanece baixa.
A época é sempre oportuna para previsões otimistas, sem dúvida. Todavia, há a considerar que o sr. Fraga não mostra ser o tipo do homem público voltado para amenidades. Ademais, as perspectivas gerais embasam este tipo de postura. Há uma efetiva sinalização positiva no quadro brasileiro, apesar de certos problemas que persistem no panorama econômico. O mais importante, ademais, é a percepção de que, conforme o próprio presidente do BC deixa antever, o país precisa mudar a direção, adotando uma postura mais positiva no que tange ao crescimento econômico. Não se pode esquecer, igualmente, que o próprio desenvolvimento da economia depende de decisões que partem também do Banco Central. Quer dizer, quando anuncia um período de evolução, o presidente do BC não apenas formula um desejo ou uma esperança, mas sem dúvida sinaliza decisões já geradas no meio econômico.
Não há dúvidas sobre a imperiosa necessidade de o Brasil atingir, nos próximos anos, índices positivos de crescimento. O resultado deste ano, menos ruim do que o antecipado no começo de 1999, ainda é insuficiente. O Brasil precisa crescer a uma média de pelo menos 4% ao ano para sair da recessão e garantir ao seu povo uma situação menos angustiosa. O fato de o presidente do BC antecipar esta tendência, serve como garantia maior de que possivelmente o Brasil terá, mesmo, um 2000 melhor.

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