O relatório do Fundo Monetário Internacional prevendo uma taxa de apenas 3% no crescimento econômico mundial este ano é preocupante. Para o Brasil a questão é ainda mais séria porque o documento prevê, aqui, um crescimento de somente 1,5% do Produto Interno Bruto. A previsão é a mesma feita pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no mês passado, para nosso país. Quando se sabe que o aumento populacional do planeta no período será superior a 3%, o cenário mundial é de dificuldades, desemprego e retração.
No entanto, isto não é novidade. O quadro em todo o mundo, exceto em poucos países, como os Estados Unidos, é de desemprego e desaceleração econômica. Há crise em todos os países da Ásia e uma estagnação crônica no Japão que vai agravar esse quadro, pois todos os países asiáticos são fortemente dependentes da economia japonesa, inclusive a China. O que preocupa é que ninguém sabe quando essa situação vai acabar e que consequências haverá para as economias ocidentais se o Japão - segunda economia do mundo - não sair do atoleiro.
Previsões, naturalmente, por maior que seja a credibilidade de quem as faz, são opiniões conjunturais, baseadas em fatos atuais e projetados no futuro. As própria previsões do FMI em relação ao comércio mundial para este ano já foram bastante alteradas nos últimos tempos: em outubro, o Fundo previa crescimento de 4,25%; em dezembro, com a crise asiática, baixou para 3,5%. Agora, caiu mais um pouco. Há fatos novos reforçando tendências negativas, embora o quadro asiático tenha melhorado em relação ao ano passado, mas o Japão está no seu quinto pacote econômico desde outubro, mostrando que busca uma saída mas ainda não a encontrou.
O quadro é um alerta para o Brasil em ano eleitoral. Será inevitável, ao que parece, crescer abaixo de 2% este ano. Como a população cresce mais do que isso e já há bastante desemprego, o quadro é ruim. Mas ele pode melhorar, ainda este ano. Basta dar um empurrão nas reformas e reduzir o déficit público. Hoje, como as reformas estruturais não foram concluídas e o déficit persiste, as autoridades econômicas mantêm a rédea curta, evitando medidas que poderiam reaquecer a economia e o emprego.
No entanto, a redução do déficit não precisa esperar pelas reformas. Elas ajudarão, sem dúvida, mas muita economia pode ser feita nos três níveis de governo - municipal, estadual e federal. O Brasil tem amplas condições de responder a este desafio e crescer mais. Se atrair capital para a produção, ao invés de para a especulação, oferecendo ao capital produtivo vantagens justas e inteligentes, o Brasil poderia atrair empresas em número muito maior do que as que estão vindo.
E para as que já estão aqui e sofrem com a retração, por que não acelerar a queda das taxas de juros, agora que já estamos com as reservas internacionais no nível de 70 bilhões de dólares? É quase 20% mais do que havia antes da crise asiática nos pegar de surpresa em setembro passado.
Ao lado da necessária preocupação com o controle da inflação é preciso haver uma disposição maior para reduzir o desemprego e aumentar a produção. É um desafio sério, quando se sabe que o programa de estabilização é potencialmente recessivo. Mas é possível diante do que já se conseguiu fazer nos últimos anos. Continua a ser apenas uma questão de vontade política.

mockup