Celebra-se hoje o Dia da Prevenção de Catástrofes Naturais, data que pode parecer estranha, pois as catástrofes naturais são em sua maioria inevitáveis. No entanto, seus danos podem ser reduzidos pela prevenção adequada e até mesmo totalmente evitados no que se refere à integridade física das pessoas atingidas. Segundo um estudo divulgado ontem pelo Departamento de Assuntos Humanitários da ONU, no âmbito do Decênio Internacional da Prevenção de Catástrofes Naturais, as inundações e as secas deixam mais vítimas e causam mais danos no mundo do que qualquer outro tipo de tragédia. No entanto, as mortes podem ser significativamente reduzidas.
As secas foram a principal causa de mortes no ano passado entre todos os tipos de catástrofes naturais. Foram mortas por secas 74.000 pessoas durante 1996. A desertificação atinge um quarto das terras do planeta e custa todo ano US$ 42 bilhões em quebras de safras. A elevação da temperatura do Oceano Pacífico na região do Equador, fenômeno conhecido como El Ni¤o, é em parte a causa da seca que resultou nos incêndios florestais cuja fumaça asfixia o sudeste asiático.
El Ni¤o causará chuvas intensas na região sul do Brasil durante este verão e seca no Nordeste. O fenômeno é inevitável, tanto quanto inexplicável, mas suas consequências podem ser controladas por medidas de proteção contra as cheias no Sul e de irrigação no Nordeste. O número de inundações no planeta aumenta mais rapidamente que o das outras catástrofes. Entre 1991 e 1995, as perdas causadas pelas inundações chegaram a US$ 203 bilhões, quase a metade das perdas econômicas totais causadas por catástrofes. As inundações na China foram a pior catástrofe natural do ano passado em um só país, causando a morte de 2.700 pessoas e prejuízos de US$ 24 bilhões, informou o organismo da ONU.
O fato mais relevante divulgado pela ONU é a informação de que, nos dez últimos anos (1987-1996), as perdas econômicas provocadas pelas grandes catástrofes chegaram a US$ 400 bilhões. No decênio precedente, as perdas haviam chegado a 147 bilhões e nos anos 70 foram de menos de 100 bilhões. A extensão dos danos é, portanto, crescente e proporcional ao crescimento dos grandes centros urbanos. Uma política prevencionista mais ativa, em relação ao clima, poderia diminuir esses efeitos.
As Nações Unidas criaram, em 1990, o Departamento de Assuntos Humanitários, para fomentar uma cultura de prevenção. O organismo age, atualmente, em 138 países. ‘‘Em muitos casos, podemos prevenir o começo de um desastre’’, afirmou o secretário do Departamento, Philippe Boulle, mencionando o sistema de alerta do México, onde os sinais que anunciam um terremoto na costa do Pacífico permitem cortar o fornecimento de gás e de água 50 segundos antes que a catástrofe atinja a capital.
A ONU adverte que a população mundial passará a 8,3 bilhões de pessoas no ano de 2025 e que a desertificação se intensificará, provocando um êxodo para as cidades. Todas as grandes metrópoles sofrerão uma crise de escassez de água no início do próximo século. Não é uma previsão alarmista. Mas poderemos sofrer graves consequências se os governos - federal, estaduais e municipais - não iniciarem desde já os preparativos para evitar que as tragédias aconteçam.

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