Pressões contra FHC
Ministros, no presidencialismo, constituem escolha direta do presidente da República. Naturalmente, diante mesmo do jogo político e da necessidade de alianças para garantir a base governista, o presidente escolhe nomes propostos pelos aliados, formando um painel às vezes complicado, mas que faz parte do quadro político. Ainda assim, os ministros continuam a ser responsáveis perante o chefe do governo, que pode demiti-los a qualquer momento, seja diante de novos fatos que ensejam mudanças na aliança, seja pela perda da confiança. Todavia, neste bloco todo do chamado primeiro escalão, existem aqueles titulares que podem ser chamados de ‘ministros do presidente’, os escolhidos pelo titular do mandato eletivo e que, de certo modo, representam o interesse mais direto do administrador. Este é o caso dos chamados ministros da área econômica, ainda mais quando, como ocorre desde a posse de FHC para seu primeiro mandato, a economia representa o fator vital para a ação governativa. Eleito graças ao sucesso do chamado Plano Real, do qual foi o principal mentor, Fernando Henrique Cardoso estava (e continua) comprometido em seu governo com a estabilidade econômica. E os ministros da área específica, notadamente o sr. Pedro Malan, representam quase que uma extensão do próprio presidente.
Tão clara é esta situação que mesmo durante a recente crise política que levou o presidente a reformular o Ministério, o que causou até estranheza uma vez que seu novo governo não havia completado nem seis meses, ninguém sequer pensou na eventual escolha de outro ministro para a Fazenda. Acordos e negociações políticas envolviam praticamente todos os Ministérios. Mas não havia qualquer tipo de especulação que envolvesse o ministro da Fazenda ou seu titular. Repentinamente, quando tudo parecia estar entrando nos eixos, começam não apenas especulações, mas pressões envolvendo o titular da Fazenda. Pressões que, como infelizmente tem sido comum, partem mais dos chamados aliados do que da oposição. E que, até por isto, deixam claros objetivos que pouco têm a ver com os interesses do País ou do governo, do qual fazem parte.
O que se tem visto aí é a continuação do jogo da politiquice, que envolve algumas legendas que, mesmo no governo (e se beneficiando disto), querem mostrar uma postura independente, preparando-se até para os embates políticos futuros. O governo FHC não está vivendo um bom momento. Os indicadores de prestígio do presidente vêm caindo. É normal, nesta nova etapa brasileira que inclui a reeleição. No passado, um governo levava pelo menos um ano para começar a perder prestígio, só passando a recuperar posição nas proximidades do novo pleito. Agora, a reeleição do chefe de Executivo carrega o desgaste do primeiro mandato. Perde prestígio logo em seguida porque se espera mais dele, sem a necessidade do chamado ‘período de transição’.
Ademais, o atual governo enfrenta sequelas da crise mundial. E, para completar, a própria e discutível pressão dos aliados acaba por complicar a vida do presidente, com os reflexos que se percebe claramente agora. Vive-se uma situação complicada e potencialmente perigosa. Partidos de oposição não criticam os ministros, investem diretamente contra o presidente, propondo até soluções que contrariam a lei. Aliados bombardeiam FHC, querendo mais nacos do poder. Esta é a hora de o presidente mostrar firmeza e discernimento. Não está em campanha, tem mais de três anos de mandato e um compromisso só, com o povo. Mostrar-se fraco agora, no caso Malan ou em qualquer outro, compromete seu governo e o futuro do Brasil.

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