Editorial - Preocupação de todos
Editorial
Preocupação de todos
A conferência sobre o emprego do G-8 (que reúne os 7 países mais ricos do mundo e a Rússia) foi concluída sábado em Kobe, no Japão, com o compromisso dos participantes de trabalhar por mudanças na organização do trabalho, respeitando ao mesmo tempo o direito legítimo dos assalariados à segurança do emprego. É preciso equilibrar a necessária flexibilidade com a proteção dos interesses dos trabalhadores, declarou o ministro britânico do Emprego, Andrew Smith, em entrevista à imprensa.
O emprego é atualmente a maior preocupação de todos os países do mundo, industrializados ou não. Naturalmente, há distinções diante da realidade de cada um, mas persiste uma situação igual, provocada pela chamada globalização e por outros fatores, entre os quais o aumento populacional - notadamente nos países menos desenvolvidos -, acompanhado de insatisfação diante das condições de trabalho oferecidas.
Uma situação real observada na Alemanha, que enfrenta o aumento do desemprego, é bem indicativa: muitos desempregados alemães foram orientados a trabalhar na colheita de uvas, onde havia necessidade de mão-de-obra. Ocorre que houve forte reação, pois muitos consideraram indigno este tipo de serviço. O resultado é que os imigrantes, que têm recebido críticas generalizadas porque aceitam qualquer tipo de trabalho, estão colhendo uvas e os desempregados alemães se queixam do governo.
Durante uma crise parecida com essa, no final do século passado, o governo da Grã-Bretanha teve uma idéia sui generis: a de se pagar para que os desempregados enterrassem garrafas. E, depois, que fossem pagos para desenterrá-las. Era preciso dar trabalho, criar condições para que os desempregados pudessem ganhar seu sustento.
Descontado o exagero britânico, a economia gira assim, com o emprego, com o trabalho. Sociedades como a norte-americana valorizaram o trabalho (e o salário), e puderam criar situação muito mais positiva em termos de desenvolvimento do que outras, em que se explorava o trabalhador e se aviltava a necessidade de trabalhar.
A preocupação do G-8 evidencia não só a necessidade do trabalho, como também deixa clara a importância de se preservar o direito dos trabalhadores e a segurança nos empregos. O problema reside, porém, no modo de se produzir mais empregos para uma sociedade em forte transformação. E é certo que ao lado da preservação natural dos direitos, também existe a necessidade de se alterar de algum modo as relações trabalhistas, mudando-se, inclusive, a visão global sobre a situação.
Entretanto, como se percebe até pela situação alemã, é necessário que haja igualmente esforço próprio das nações para tentar, cada uma, resolver o problema de modo a atender às necessidades internas. Há, em cada país, situações bem específicas. Assim, nos países mais ricos, a própria postura e a preparação do trabalhador são diferentes das de um obreiro em nação pobre. E também as relações empregados-patrões-governo são diferentes.
Em países como o Brasil, por exemplo, a excessiva intervenção do Estado e as leis que dificultam o investimento produtivo e oneram as folhas de pagamento representam um peso muito sério que precisa urgentemente ser retirado das costas da população - pois, afinal, é o povo que paga a conta de tudo, inclusive dos altos custos das empresas -, sob pena de ser praticamente impossível resolver o problema do emprego para todos. Este talvez o maior desafio a ser imediatamente enfrentado no País.





