O crescimento do mercado formal de trabalho no Paraná, de 136% no primeiro semestre do ano, é um fato tão promissor que surpreende neste momento em que a falta de empregos aflige grande parte da população brasileira. A pesquisa, do Ministério do Trabalho, mostra que a economia paranaense está em expansão. Foram criados no período 34.900 empregos a mais do que o número de dispensas, contra um resultado também positivo, mas de apenas 14.788, no primeiro semestre do ano passado. O Ministério não pesquisou o tamanho da economia informal - onde dezenas de milhares de desempregados vivem de biscates e subempregos -, para se formar uma idéia sobre o déficit de empregos no Estado. Segundo o IBGE, 54% da população brasileira vive da economia informal, que não assina carteira nem paga impostos.
Emprego é a maior preocupação dos brasileiros. As pesquisas de opinião mostram que ficar desempregado é considerado pior do que ficar doente ou sofrer alguma forma de violência. E a verdade é que, apesar de dados tão positivos quanto este divulgado pelo Ministério do Trabalho, o Brasil ainda não conseguiu estabelecer uma política inovadora que não deixe o emprego refém das crises ou humores da economia.
É preciso proteger o emprego com medidas que extrapolem as leis econômicas. Não medidas artificiais, mas que estimulem o emprego mesmo que as empresas estejam encontrando dificuldades de marcado para manter o faturamento. Isto já existe em diversos países, aqui mesmo na América do Sul, e é um avanço impensável no Brasil, enquanto tivermos uma legislação tributária que onera pesadamente as empresas - como se elas fossem culpadas por produzir - e uma legislação trabalhista que se vinga do empregador por estar empregando alguém.
Estes absurdos já fazem parte da vida brasileira. Há 60 anos que é assim. E nunca precisou ser assim... O sistema legal de proteção ao empregado é uma camisa-de-força tão apertada nas empresas que quanto mais elas puderem demitir, melhor. Nossa legislação não se preocupou em defender o emprego, mas em perpetuar o empregado, seja ele produtivo ou não. O foco está totalmente errado. Deveríamos estar estimulando a criação de novos empregos, para fazer a produção crescer, e incentivando a produtividade, para tornar os produtos mais baratos, em vez de nos preocuparmos somente com as garantias do pessoal já empregado.
A irracionalidade é tão grande que, após a espetacular alta dos juros para salvar o real, estamos premiando a especulação com o paraíso e condenando a produção com o pior dos infernos!
Se tivéssemos uma legislação moderna para o emprego e o empregado, os prejuízos poderiam ser muito menores para a parte envolvida em fazer deste País um lugar de trabalho e prosperidade. Mesmo sendo necessário o atual patamar de juros, seria possível fazer muita coisa para oferecer mais trabalho à população. Fora as reformas atoladas no Congresso, uma revisão corajosa das leis trabalhistas mudaria a economia do Brasil mais rapidamente, e mais solidamente, do que o livre jogo neoliberal das forças do mercado.
A falência da atual legislação está expressa claramente nos números do IBGE sobre o mercado informal. Para cada trabalhador com carteira assinada, há um que trabalha sem qualquer documento e, portanto, sem nenhuma garantia. O oposto do que a legislação queria assegurar!
Governo, Congresso e Judiciário deveriam aproveitar a crise para propor mudanças que premiem a produção, a produtividade e o emprego. Com isto viraríamos uma página de nossa história, partindo para um novo mundo em que teríamos mais empregos, mais produção, inflação ainda mais baixa que a de hoje (por anos a fio!) e uma sociedade finalmente de Primeiro Mundo.

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