Popularidade em queda
Para qualquer governo democrático, o índice de popularidade é importante. Afinal, quem define aqueles que terão mandatos eletivos é o povo e uma queda na popularidade do governante implica na suposição, bastante válida, de perda de votos nos pleitos subsequentes, o que é o maior pesadelo de qualquer político. O ditado segundo o qual ‘‘o único pecado em política é perder eleição’’ representa quase que uma lei para os homens públicos. Assim, quando os indicadores anunciam que o político ou todo o governo estão em baixa junto ao público (vale dizer, ao eleitor), formam-se nuvens junto à administração e os especialistas começam a lutar para reverter a tendência. Sob certo aspecto, esta disposição oficial é interessante, até porque representa a preocupação em se ter o povo satisfeito e ao lado do governante. Todavia, o grande risco é o de se buscar saídas demagógicas, alternativas populistas que podem, em curto prazo, mudar o perfil das pesquisas, mas que representam também ameaça a qualquer política séria que se possa desejar.
O que torna um pouco menos grave esta eventual queda de popularidade para um governo, no Brasil, é o fato de vivermos no presidencialismo. O calendário eleitoral é fixo, os governantes detêm mandato por prazo certo, não há a possibilidade (como acontece no regime parlamentarista) de o Parlamento apreciar algum tipo de voto de desconfiança que implicaria em queda do governo e novas eleições. Ainda que atinja níveis mais baixos de aceitação pública, o presidente Fernando Henrique Cardoso (o que acontece também com governadores e prefeitos) tem seu mandato assegurado.
Fernando Henrique Cardoso enfrenta enormes dificuldades. O país sofreu efeitos danosos das crises internacionais e também paga o preço por não ter ainda concluído as reformas estruturais que poderiam garantir um desempenho melhor em todas as áreas. Como resultado disto, persistem imensos problemas, especialmente nas áreas mais sensíveis como as do emprego e saúde. Para enfrentar estes desafios, o governo acabou adotando medidas impopulares, foi quase forçado a desvalorizar a moeda, enfrenta a ira dos especuladores, batalha em múltiplas frentes. E cai de conceito junto à população.
Pode, porém, se recuperar. Na verdade, tem um grande aliado, o tempo de um mandato que dura ainda mais de três anos. A perspectiva, que hoje parece complicada, é a de solução dos problemas, principalmente se houver firmeza nas atitudes e sequência no projeto que objetiva, entre tantas outras coisas, equilibrar as contas públicas e impulsionar ações de desenvolvimento auto-sustentado. Persiste, contudo, o perigo de se buscar atitudes imediatistas ou demagógicas para buscar reverter, enganosamente, os atuais índices de insatisfação popular. É um momento grave em que a tentação de adotar medidas mentirosas é grande.
O senador Antônio Carlos Magalhães, que parece querer implantar no país o tipo de assistencialismo que faz a carreira de muitos demagogos, acaba de lançar mais uma informação otimista: informa agora que o governo vai congelar preços dos combustíveis. Com isto, assegura, sobe o prestígio do Executivo federal. Engodo em que se espera não vai cair o presidente FHC. Não é hora de buscar saídas mágicas, mas de manter a firmeza e levar o país no rumo certo, insistindo na grande transformação que já custou muito em sacrifícios ao povo, mas que é o caminho para o Brasil sair do atoleiro do subdesenvolvimento e assumir seu lugar como potência mundial, dando a seu povo as condições de vida que espera e merece. Mostrando convicção em suas atitudes e mantendo o projeto que vem funcionando, FHC pode, até o final de seu segundo mandato, reverter esta situação, sem demagogia.

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