Editorial - Política de juros
Política de juros
A defesa feita pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Alcides Tápias, da redução de juros em consequência da melhoria da situação econômica do país, está bem de acordo com a opinião quase generalizada dos especialistas do setor. Mais que isto, há também um consenso sobre o fato de que esta redução é imprescindível para a tão necessária política de aquecimento destinada a modificar a situação nacional e a garantir o salto de desenvolvimento que o País reclama. Vale rememorar que, recentemente, o ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, economista José Mendonça de Barros, manifestou preocupação em relação à manutenção das taxas de juros em 19%, desde setembro do ano passado. Segundo seu entendimento, o Banco Central está perdendo o timing para reduzir os juros, criando com isso a receita para o imobilismo. O ex-secretário do Ministério foi taxativo ao enfatizar que a permanência das taxas de juros nesse patamar por um período tão longo pode ser tornar uma armadilha para o próprio Banco Central.
Na avaliação de Mendonça de Barros, o Banco Central está cometendo um verdadeiro equívoco em manter os juros em 19% diante do cenário econômico brasileiro atual, que é favorável, com a inflação em queda, retomada da atividade econômica, crescimento do comércio exterior, cumprimento das metas de ajuste fiscal prometidas ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e estabilização da relação dívida pública e Produto Interno Bruto. O economista frisa que os principais motivos adotados pelo Banco Central para não reduzir as taxas de juros em fevereiro como a alta do preço do petróleo e incertezas com relação aos juros norte-americanos ainda deverão estar presentes na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nesta quarta-feira. Entretanto, considera que para o Brasil, independente destas questões, o momento é apropriado e adequado para reduzir a taxa de juros. O ex-secretário ressaltou ainda que há a necessidade de os juros caírem para a continuidade do crescimento do País e o cumprimento das metas fiscais deste ano.
É opinião compartilhada pelo ministro Tápias e por tantos outros que percebem a necessidade de se reduzir os atuais juros, ainda inaceitáveis para qualquer padrão de economia civilizada, apesar da situação externa. Com efeito, existe um entendimento quase unânime em relação à alta dos juros norte-americanos. Não é, porém, nenhuma surpresa: o mercado está esperando não só esta alta, mas uma continuidade delas nos próximos meses. E há a convicção de que o eventual reajuste dos juros pelo FED, a entidade oficial norte-americana controladora da política monetária dos Estados Unidos, não afetará a economia mundial de modo a exigir mudanças drásticas na gestão econômica de outros países.
A percepção é a de que o momento atual é o acertado para que o Banco Central reduza, novamente, a taxa de juros, dando mais condições para que a iniciativa privada possa adotar medidas concretas de aquecimento. Isto, inclusive, representaria um indicador poderoso e confiável para a adoção de medidas capazes de garantir o necessário crescimento econômico, com todas as consequências positivas disto decorrentes.
Até agora, tem se confirmado todas as projeções otimistas que foram feitas no final do ano passado a respeito do Brasil. É importante que, quase no final do primeiro trimestre do ano, o BC volte a agir positivamente, através da redução de juros, para permitir que continue este bom momento que a economia vive no país.





