As informações da Confederação Nacional da Indústria sobre a queda no nível de emprego do setor nos últimos 5 anos deve provocar uma reflexão muito profunda sobre o trabalho e a necessidade urgente de mudanças profundas para se enfrentar esta questão. Segundo os dados da CNI, o nível de empregos na indústria caiu 21% desde 1992. Isto não é consequência de nenhum pacote econômico, nem mesmo do famigerado Plano Collor, baixado dois anos antes. Mas reflete uma situação real que não deve ser atribuída somente à abertura da economia às importações, a partir de 1990, nem à desaceleração do crescimento econômico, de março de 1995 para cá. Mais do que esses fatores, o que pesa mesmo é o elevado custo de produção no Brasil e a inexistência de leis modernas que incentivem a contratação de mão-de-obra.
Mudamos de moeda e a estabilidade nos leva a um outro mundo, mas não mudamos nosso modo de ver as coisas em matéria de empregos. No passado, o esforço de muitos municípios que estavam saindo do ciclo agrícola era justamente o de atrair indústrias, porque elas representavam uma alternativa adequada para a criação rápida de empregos. Todavia, a indústria evoluiu também e um dos passos nesse crescimento foi, justamente, o aprimoramento da produção, que sempre busca o melhor rendimento com menos custo. Se isto provoca, no primeiro momento, a redução do quadro funcional, com a multiplicação da atividade o emprego cresce.
A atração de indústrias, num ambiente de crescimento econômico, é benéfica. Isto é garantia de empregos, mas eles poderiam ser em maior número se as condições tributárias e trabalhistas fossem melhores. Não quanto aos salários, que deveriam até ser maiores, mas quanto aos encargos, assim como os tributos em cascata, que tornam mau negócio investir na produção.
Indústrias são importantes para os municípios tradicionalmente agrícolas, não para acabar com a agricultura, mas, ao contrário, para diversificar a economia e abrir novas perspectivas para a população, assim como para a arrecadação municipal. Com mais recursos, as prefeituras vão poder fazer obras que antes não podiam. E com mais empregos, a população viverá melhor e vai se sentir muito mais segura quanto ao futuro.
Mas não só indústrias são importantes. Também o estímulo às micro e pequenas empresas do setor de serviços são geradoras de empregos - poucos em cada uma, mas muitos no somatório de todas elas. O Brasil, notadamente por uma das decisões anunciadas no pacote do mês passado, parece ter percebido o caminho. Estimular as pequenas, médias e microempresas responde ao desafio atual, abrindo-se portas para novas opções.
Os Estados e municípios podem fazer muito por esse setor, no qual já atua um órgão nacional estimulante, o Sebrae. Os pequenos empreendimentos e o comércio em geral respondem por uma parcela bastante grande do mercado de trabalho. É plenamente possível, com incentivos adequados das prefeituras e dos governos estaduais, preencher no comércio e no setor dos serviços as vagas que estão sendo perdidas, hoje, na indústria.
Ademais, há também o importante setor rural, que é capaz de gerar empregos em quantidades que nenhum outro pode igualar. Não se trata de voltar para os tempos de uma economia agropastoril, mas de fazer do campo um moderno produtor de riquezas e um verdadeiro celeiro de alimentos, farto e abundante. Uma nova visão sobre o problema do emprego, com a adoção de medidas para estimular comércio, serviços e agricultura, junto com uma política educacional melhor, é a alternativa que os governos devem desenvolver para assegurar trabalho honesto e bem remunerado à população.

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