Editorial - Perspectivas mundiais
Perspectivas mundiais
O Brasil foi responsável por 0,9% das importações e exportações mundiais de produtos em 1999, segundo relatório da Organização Mundial do Comércio divulgado em Genebra. Os Estados Unidos movimentaram 12,4% das exportações mundiais, com um volume de vendas de US$ 695 bilhões. Em seguida, vieram a Alemanha, Japão, França e Reino Unido. Os norte-americanos também lideram o ranking de países importadores, com um volume de US$ 1,05 trilhões, ou 18% do total global. Os outros principais países importadores foram a Alemanha, Reino Unido, Japão e França. Segundo a OMC, as exportações dos países em desenvolvimento aumentaram 8,5% no ano passado, num ritmo duas vezes superior à média mundial. Ao longo de toda a década de 90, o crescimento das exportações dos países em desenvolvimento sempre superou à média mundial, com exceção de 1998. Em 1999, a participação desses países foi de 27,5% nas exportações de produtos e 23% na exportação de serviços.
Todavia, estes números não ofuscam outras informações negativas como a de que, em 1999, a América Latina registrou a sua pior performance econômica da última década. A produção da região ficou estagnada e o volume de importações de produtos caiu 2%. O relatório indica que pelo menos oito países registraram um produção inferior à do ano anterior. A exemplo de 1998, viu-se uma enorme diferença entre o ritmo de crescimento do comércio do México e dos outros países da América Latina juntos. Enquanto as importações e exportações do México cresceram mais de 20% ao longo dos últimos dois anos, outros países latino-americanos registraram uma queda de 8% nas exportações e quase 15% nas importações. Segundo a OMC, esse desnível é causado pelas diferenças na estrutura das exportações. Os produtos manufaturados representam 85% das exportações do México, mas apenas 40% no restante da América Latina.
No âmbito do Mercosul, a situação também não é das melhores. O relatório revela que o comércio interno na região sofreu uma contração de cerca de 25%, resultado de uma realidade lamentável: a produção dos países-membros caiu ou ficou estagnada. Não se leva em conta sequer a disputa que surgiu, notadamente entre Brasil e Argentina, em relação a uma série de produtos, fato que, em realidade, apenas ofusca o outro lado da questão, precisamente o da estagnação. Paralelamente, estas informações indicam como necessidade vital para modificar e melhorar todo este quadro uma política objetiva visando estimular a produção.
Este é o ponto básico. A OMC prevê que a produção econômica no mundo deve crescer 3,5% neste ano o crescimento em 1999 foi de 3% , e que o volume do comércio mundial deve aumentar 6,5%. Indica-se até que é possível que esse aumento seja ainda maior, principalmente se a demanda na Europa Ocidental e no Japão crescer mais do que o previsto. Em relação à América Latina e Oriente Médio, é prevista uma forte retomada no crescimento de seus PIBs após a estagnação de 1999, mas com o alerta de se manter atenção em relação ao quadro econômico dos países mais desenvolvidos.
Ainda assim, as perspectivas positivas para a economia da região como um todo, e do Brasil em especial, permanecem válidas. O que se reclama, porém, é que se adotem medidas concretas no sentido de retomar a produtividade através de investimentos maciços que produzem o necessário reaquecimento econômico. O Brasil, com o potencial que tem, pode perfeitamente melhorar em muito sua performance mundial. Só precisa é que medidas objetivas ofereçam ao povo a condição de trabalhar e ser o agente de seu próprio crescimento.





