Constitui um alento o programa da Bolsa-Escola instituído pelo governo federal e que, no Paraná, irá beneficiar cerca de 180 mil crianças de famílias carentes, a partir deste mês. Os valores destinados a esse fim são ainda baixos, e o número de necessitados ultrapassa os limites estabelecidos pelo Ministério da Educação, mas isto é melhor do que atendimento nenhum, neste País onde há muita criança sem escola e o número de adultos analfabetos (aqueles que sabem apenas assinar o nome e conhecem algumas letras) gira em torno de 30% da população.
No Paraná, a estatística não é lisonjeira, pois o índice de analfabetos é de 24,4% e supera o correspondente aos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A alegação oficial é que isto ocorre porque o Paraná é, acentuadamente, um Estado agrícola. Mas esse argumento não prevalece, se o Rio Grande tem a mesma característica e o índice é bem menor.
A boa notícia é que, com a criação do programa federal da Bolsa-Escola, as prefeituras vêm se mobilizando para cadastrar crianças carentes em idade escolar, e a boa expectativa é o afastamento dessa população infantil dos riscos da marginalidade. São passos de avanço, embora ainda tímidos, para melhorar o Brasil atual e futuro a partir das crianças. Paralelamente – e apenas para citar um exemplo – em Londrina a prefeitura criou há dois meses um programa de bolsa-escola que está beneficiando 450 famílias de extrema pobreza.
E, neste Ano Internacional do Voluntariado, ressalte-se também o trabalho de empresas que estão ajudando a reduzir o analfabetismo, no Paraná. São inúmeros os programas, na maioria anônimos, de empresas que patrocinam cursos de alfabetização de jovens e adultos, junto ao seu quadro de empregados, e também das que contribuem com programas públicos dessa natureza.
Há uma semana este jornal reportou-se ao trabalho que uma única pessoa implantou em Mandirituba, município próximo de Curitiba, para recuperar meninos de rua e cujos bons resultados são surpreendentes, constituindo-se em referência nacional.
Citar apenas nomes de alguns seria omitir centenas de empresas e instituições que, com recursos próprios e da comunidade, e o trabalho voluntário de pessoas de boa vontade, vêm amenizando o problema dos carentes sociais e dos até então ausentes das escolas.
Onde os governos falham, os cidadãos suprem, e as providências da área oficial, no mais das vezes, ocorre na crista dos clamores populares e na caudal das ações de vanguarda da sociedade. Importam os resultados, e o certo é que, não obstante o aumento da população, o índice de analfabetos diminuiu, no Brasil, na última década.

mockup